Milhares protestam contra presidente da Nicarágua

Milhares de pessoas participaram nasexta-feira de uma passeata realizada na capital da Nicaráguapara protestar contra o presidente Daniel Ortega, a quemacusaram de encabeçar uma "ditadura institucional". A manifestação, que transcorreu sem incidentes, foiconvocada por cerca de 15 organizações não-governamentais elíderes da oposição, que se queixaram do rumo tomado pelaeconomia do país e da exclusão de pequenos partidos daseleições municipais de novembro. "Se esta passeata não for ouvida pelo governo, vamos terque fazer passeatas maiores e em toda a Nicarágua", disse ajornalistas Edmundo Jarquín, ex-candidato à Presidência peloMovimento Renovador Sandinista (MRS), um dos partidosexcluídos. "Aqui estão todos os partidos que defendem a democracia eas organizações sociais formadas por pessoas independentes",acrescentou o dirigente do MRS, fundado pelo ex-vice-presidentee escritor Sergio Ramírez em 1995, depois de o grupo delecindir-se da Frente Sandinista de Libertação Nacional (FSLN). Ortega, da FSLN, regressou em janeiro de 2007 à Presidênciadepois de ficar 16 anos na oposição. E seus adversáriospolíticos de hoje criticam-no pela suposta falta detransparência na administração do dinheiro público e pormanobras que minariam o pluralismo político. O Conselho Supremo Eleitoral, um órgão independente dogoverno, decidiu semanas atrás que o MRS não reunia ospré-requisitos legais para participar das eleições municipaisde novembro. O mesmo valia para o Partido Conservador. A oposição, no entanto, acredita que há um "pacto" entreOrtega e o ex-presidente Arnoldo Alemán, líder do PartidoLiberal Constitucionalista (PLC). A FSLN e o PLC são as duasmaiores legendas do Congresso e elegem as autoridadeseleitorais, judiciais e de outros poderes públicos. "Democracia sim, ditadura não", gritavam os manifestantesque carregavam cartazes e camisetas brancas com palavras deordem contra Ortega. "Queremos que ele (Ortega) corrija o que está fazendo, aoviolentar os direitos humanos e os direitos de participação,"disse Carmen González, uma professora de 51 anos de idadepresente na passeata. O presidente, ex-inimigo dos EUA quando governou aNicarágua pela primeira vez, na década de 80, é um aliado dopresidente da Venezuela, Hugo Chávez, e do presidente do Irã,Mahmoud Ahmadinejad, críticos contumazes do governonorte-americano. (Reportagem de Iván Castro)

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