Milhares protestam contra Putin em Moscou

Oposição afirma que 120 mil participaram da manifestação pacífica e promete levar 1 milhão às ruas da próxima vez

Moscou, O Estado de S.Paulo

25 de dezembro de 2011 | 03h01

Dezenas de milhares de pessoas saíram ontem às ruas de Moscou para protestar contra o governo e o premiê Vladimir Putin, favorito para vencer as eleições presidenciais de março. Segundo opositores, 120 mil manifestantes participaram da marcha, enquanto a polícia estimou a multidão em 28 mil. O clima foi pacífico e as forças de segurança apenas observaram o protesto.

Um dos líderes do movimento, o blogueiro Alexei Navalny, prometeu que 1 milhão de pessoas comparecerão ao próximo protesto, ainda sem data prevista. "Na próxima vez, mobilizaremos 1 milhão de pessoas nas ruas de Moscou", disse Nalvany, que acabou de ser libertado após passar 15 dias na prisão por ter participado de um protesto proibido após as eleições. Durante o evento, a oposição recebeu também o apoio de personalidades, escritores, músicos, jornalistas e políticos, incluindo o enxadrista Garry Kasparov, conhecido desafeto de Putin.

Entre os manifestantes também estava o ex-ministro da Economia Alexei Kudrin, que acusa o governo de fraude nas eleições em que o Rússia Unida, de Putin, venceu com cerca de 50% dos votos. "É preciso diálogo porque senão haverá uma revolução e perderemos a oportunidade que temos para alcançar uma mudança pacífica", afirmou Kudrin.

O protesto teve o apoio do último líder da União Soviética, Mikhail Gorbachev. Embora não tenha comparecido, ele pediu ao governo que reconheça as fraudes eleitorais e realize uma nova votação. Na sexta-feira, em entrevista ao jornal Novaya Gazeta, ele declarou que se arrepende de ter apoiado Putin no início de sua carreira política. "Eu me sinto envergonhado", disse Gorbachev.

Fortuna pessoal. Enquanto isso, Putin faz o que pode para manter sua imagem. Na semana passada, autoridades eleitorais divulgaram que a tão falada fortuna do premiê não passa de US$ 180 mil. Ele teria dois apartamentos modestos, em Moscou e em São Petersburgo, um terreno e alguns carros vintage, como um Volga 1960 e um trailer fabricado em 1987. Opositores, no entanto, estimam que o premiê teria cerca de US$ 40 bilhões em bens acumulados. / REUTERS, NYT e AFP

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