Milhares protestam em vilarejo chinês contra confisco de terras

Milhares de moradores de um vilarejo no sul da China fizeram uma manifestação nesta quarta-feira, desafiando a polícia que havia isolado a região para conter uma disputa por aquisições de terra e um protesto contra a morte de um líder local quando estava sob a custódia da polícia.

REUTERS

14 de dezembro de 2011 | 12h42

A morte de Xue Jinbo, de 42 anos, aumentou a tensão na província de Guangdong, e aconteceu depois que a tropa de choque disparou canhões de água e gás lacrimogêneo no domingo para dispersar milhares de moradores que atiravam pedras.

Moradores do vilarejo de Wukan dizem que autoridades corruptas se apropriaram de centenas de hectares de terras de forma injusta, em conluio com incorporadores da região.

A raiva finalmente foi extravasada no vilarejo este ano após apelos repetidos às autoridades nos últimos anos para que fizessem alguma coisa.

Parentes de Xue disseram que ele foi vítima da brutalidade policial e que seu corpo tinha machucados e outros sinais de abuso. Eles rejeitaram os relatos oficiais de que ele morreu de parada cardíaca depois de ser interrogado em 9 e 10 de dezembro.

"O caso está sendo investigado", disse Zheng Yanxiong, o líder do Partido Comunista da cidade de Shanwei, que supervisiona Wukan, segundo a agência de notícias Xinhua.

"O governo vai lutar para cuidar de todos os problemas relacionados e espera que o vilarejo não seja instigado a participar de mais tumultos."

O grupo de direitos humanos Anistia Internacional pediu uma investigação imediata e independente da morte de Xue, acrescentando que a China não estava conseguindo proteger os cidadãos de despejo forçado.

"Ao contrário dos padrões e legislação internacionais, os cidadãos chineses raramente têm a oportunidade de fazer uma consulta verdadeira antes do despejo, raramente recebem informações adequadas sobre a natureza ou o propósito do despejo e frequentemente recebem pouca ou nenhuma indenização", disse o grupo em um comunicado.

O termo "Wukan" foi censurado nesta quarta-feira no serviço Weibo, o microblogue chinês, ao estilo do Twitter, na China.

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