REUTERS/Javier Barbancho
REUTERS/Javier Barbancho

Milhares protestam na Espanha após soltura de acusados de estupro coletivo

O tribunal já havia causado escândalo quando se pronunciou em primeira instância descartando a classificação de estupro nos atos cometidos pelos acusados contra uma jovem de 18 anos

O Estado de S.Paulo

22 de junho de 2018 | 19h02

BARCELONA - Milhares se manifestaram nesta sexta-feira, 22, em diferentes cidades da Espanha em repúdio à libertação dos acusados do caso conhecido como "La Manada" - cinco jovens que abusaram sexualmente em grupo de uma jovem e que poderão voltar para casa à espera da confirmação da condenação na segunda instância.

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O tribunal de Pamplona (norte), encarregado do caso, decretou liberdade provisória sob fiança de € 6 mil para os cinco jovens sevilhanos, que na tarde desta sexta-feira já haviam deixado a prisão.

O tribunal já havia causado escândalo em abril, quando se pronunciou em primeira instância. Os juízes descartaram a classificação de estupro nos atos cometidos pelos acusados, que penetraram sucessivamente a vítima, na época com 18 anos, no portal das festas de São Firmino, em Pamplona, em julho de 2016.

Cada um deles foi condenado a 9 anos de prisão por "um delito continuado de abuso sexual", mas agora ficarão em liberdade provisória à espera de que se examine seu caso na apelação.

As primeiras manifestações de repúdio aconteceram nea quinta-feira, quando a imprensa noticiou a iminente libertação. Nesta sexta-feira, houve mobilizações maiores em Madri, Sevilha, Valência, Granada e outras cidades.

"Basta de justiça patriarcal", gritaram os manifestantes, mulheres e homens de todas as idades, em frente ao ministério da Justiça em Madri.

Em sua decisão, publicada nesta sexta-feira, o tribunal de Navarra explica que não vê risco de reincidência diante "da repercussão do caso e da pressão que gerou" contra os cinco jovens. 

Os condenados, que passaram quase dois anos na prisão preventiva, estarão a partir de agora submetidos a um rígido controle: proibição de sair da Espanha sem autorização judicial, retirada do passaporte, obrigação de se apresentar ao tribunal mais próximo às segundas, quartas e sextas-feiras, e proibição de viajar a Madri, onde a vítima, agora com 20 anos, mora. / AFP

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