DOLORES OCHOA / AP
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Milhares protestam no Equador contra medidas adotadas por Correa

Manifestantes na capital e em outras sete cidades criticaram aumento de impostos e projetos de lei que tramitam no Congresso; opositores rechaçaram possibilidade de reeleição indefinida

O Estado de S. Paulo

20 Março 2015 | 09h52


QUITO - Milhares de trabalhadores, estudantes e indígenas protestaram na quinta-feira, 19, no Equador - pela segunda vez em duas semanas - contra o governo do presidente Rafael Correa. As manifestações deixaram 3 feridos e pelo menos 13 presos. Correa, no entanto, qualificou o movimento como um "fracasso" e disse que sua comitiva sofreu uma tentativa de agressão na cidade de Riobamba, ao sul da capital Quito.

Uma parte da oposição manifestou seu desacordo com o que chamaram de "deterioração da economia e da liberdade de imprensa" no país. A mudança constitucional debatida no Congresso para a reeleições de forma indefinida também esteve na pauta - se for aprovada, a medida permitirá que Correa dispute seu terceiro mandato, em 2017.

Os protestos de quinta-feira, organizados em pelo menos sete cidades, além da própria capital, foram convocados pela Frente Unitária de Trabalhadores (FUT) e pela Confederação de Nacionalidades Indígenas do Equador (Conaie). "Protestamos contra a lei prejudicial aos trabalhadores que o governo insiste em aprovar", afirmou o diretor sindical José Villavicencio.

Em Quito, apesar da forte chuva, os manifestantes caminharam até a praça de São Francisco, próxima da residência presidencial. No local, houve confronto com os policiais, que utilizaram cavalos e membros da polícia antidistúrbio para dispersar o movimento. Pelo Twitter, jornalistas relataram que alguns repórteres fotográficos foram agredidos por pessoas não identificadas.

A marcha, que não tinha uma pauta única, foi marcada pela diversidade de assuntos defendidos pelos participantes. Enquanto alguns reclamavam do reajuste fiscal determinado pelo presidente  no começo do mês - aumentando em até 45% os impostos de cerca de um terço das importações do país -, outros pediam que um projeto de lei sobre distribuição e exploração de terras, que tramita no Congresso, seja abandonado - os indígenas também se opuseram a forma como o governo explora petróleo e outros minerais em alguns regiões, que ele alegam, impactar a natureza.

Agressão. Em entrevista a uma emissora de televisão em Riobamba, Correa afirmou que uma multidão tentou agredir sua comitiva após a inauguração de um centro de saúde. "Tentaram agredir o presidente arremessando pedras e garrafas", afirmou o líder equatoriano. Segundo Correa, duas pessoas de sua equipe ficaram feridas.

Sobre as manifestações em várias regiões do país, Corre afirmou que a marcha na capital reuniu 4,5 mil pessoas e foi um "fracasso total". O presidente disse também aceita dialogar com "todos os setores", desde que não estejam envolvidas as "pessoas politiqueiras", como ele qualificou os organizadores do protesto de quinta-feira.

Correa também acredita que seu governo deve ser algo de mais manifestações num futuro próximo como parte da estratégia dos opositores de "desgastar o governo para tentar ganhar as próximas eleições".

De acordo com pesquisas divulgadas em fevereiro pela empresa Cedatos, Rafael Correa é aprovado por 55% dos equatorianos - em janeiro o índice era de 60%. Sobre o fim do limite de reeleições, o levantamento mostrou que 81% da população acha que o tema só pode ser aprovado por meio de consulta popular. / AFP e EFE

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