REUTERS/Axel Schmidt
REUTERS/Axel Schmidt

Milhares saem às ruas na Europa contra restrições anti-covid-19

Multidão se manifesta contra o uso de máscaras e confinamentos em meio ao aumento do número de novos casos

Redação, O Estado de S.Paulo

29 de agosto de 2020 | 20h01

BERLIM - Milhares de manifestantes contrários ao uso de máscaras e a medidas restritivas pelo novo coronavírus saíram neste sábado às ruas de várias cidades da Europa para protestar. O número de mortos pela covid-19 no mundo chegou neste sábado a 839.068, segundo a Universidade Johns Hopkins. Em Berlim, palco do maior desses protestos, a manifestação foi interrompida pela polícia por desrespeitar as medidas de proteção.

Em Londres, manifestantes reunidos em Trafalgar Square pediram o “fim da tirania médica”. O governo britânico avalia impor novas restrições na Inglaterra, como “confinamentos locais prolongados”, diante do novo surto de covid-19. O Reino Unido, região europeia mais atingida pela pandemia, registra cerca de 41.500 mortos e mais de 331 mil casos. Cada uma das nações, como Inglaterra e Escócia, estabelece suas próprias medidas para combater a doença.

Em Paris, centenas de pessoas protestaram contra a obrigatoriedade da máscara. Sophie, uma parisiense de 50 anos, disse ter ido às ruas por ser “a favor da liberdade de escolha”. A França registrou 7.379 novos casos confirmados de coronavírus na sexta-feira, o maior número desde o lockdown, no que o Ministério da Saúde descreveu como um aumento exponencial poucos dias antes de milhões de crianças retornarem à escola pela primeira vez desde março.

A polícia de Berlim ordenou a dispersão da manifestação, logo depois de seu início, às 9 horas locais, diante do Portão de Brandemburgo. “A maior parte deles não cumpriu a distância mínima (de segurança entre as pessoas), apesar das repetidas exigências” das forças da ordem, relatou a polícia. Muitos manifestantes permaneceram no local, sentados no meio da rua, gritando “resistência”, ou “nós somos o povo”, slogan da extrema direita, enquanto outros cantavam o hino nacional. Um grupo jogou pedras e garrafas nos policiais. Duas pessoas foram detidas. No dia 1.º, outra marcha contra as restrições reuniu milhares em Berlim.

“Pensadores livres”, ativistas antivacinas, partidários de teorias conspiratórias e simpatizantes da extrema direita se reuniram na manifestação deste sábado, que apelidaram de “festival de liberdade e paz”. “Merkel deve sair”, eram um dos frequentes gritos ouvidos na multidão, referindo-se à chanceler alemã.

“Não sou um simpatizante da extrema direita, estou aqui para defender nossas liberdades fundamentais”, disse Stefan, um berlinense de 43 anos, de cabeça raspada, vestindo uma camiseta com a mensagem “pensar ajuda!”.

Assim como muitos países europeus, a Alemanha enfrenta um aumento nas infecções. Neste sábado, o instituto de monitoramento RKI relatou 1.479 novos contágios em 24 horas. O país registra 9.299 mortes e 242.542 casos. / AFP

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