Milhares se reúnem na Espanha em protesto contra terror

Milhares de pessoas se reuniram neste domingo, 31, por toda a Espanha para expressar sua repulsa ao terrorismo, devido ao atentado realizado no sábado pela organização separatista basca ETA, enquanto continua a busca pelos dois equatorianos que desapareceram após a explosão do carro-bomba ocorrida no aeroporto de Madri.As manifestações foram convocadas pela Federação Espanhola de Municípios e Províncias (Femp), e a elas se somou outra manifestação da Associação de Vítimas do Terrorismo (AVT) na Puerta del Sol na capital da Espanha.No local aconteceria à meia-noite a tradicional festa de réveillon, que o governo regional de Madri decidiu suspender após o atentado com o qual o grupo terrorista ETA pôs fim ao cessar-fogo declarado em 22 de março.Algumas concentrações ocorreram em silêncio, mas na da AVT, que se opôs aos esforços do governo de José Luis Rodríguez Zapatero para iniciar uma via de diálogo com a ETA, foram cantadas palavras contra o Executivo. O presidente da AVT, Francisco José Alcaraz, leu um manifesto no qual exigiu que o governo "rompa o chamado processo de paz, porque é um processo de rendição".Na mesma linha, o líder do conservador Partido Popular (PP), Mariano Rajoy, reiterou que "devem proceder à ruptura de qualquer negociação com a ETA" e pediu ao governo que "volte à prudência e que recupere a noção da realidade".O líder do PP reprovou Zapatero por não ter sido "mais enérgico na condenação" da ETA, já que o primeiro-ministro espanhol afirmou que suspenderia os contatos com a organização terrorista, o que - na opinião de Rajoy - não é uma ruptura total da aproximação com o grupo e deixa aberta a possibilidade de o processo continuar. "Não podemos dizer que agora suspendemos. É preciso dizer que agora vamos atrás deles", disse o presidente do PP.À margem da polêmica partidária, o secretário-geral dos socialistas bascos, Patxi López - um dos principais artífices da aproximação com a organização terrorista -, considerou que a "ETA dinamitou qualquer possibilidade de diálogo neste país" com o atentado.A única coisa em que todas as forças políticas coincidiram foi em expressar a solidariedade aos parentes de Diego Armando Estacio Sivisapa, de 19 anos, e Carlos Alonso Palate, de 34, os dois equatorianos desaparecidos depois da explosão do carro-bomba.Tudo indica que eles estão sob os escombros do estacionamento do terminal do aeroporto, onde, segundo seus parentes e amigos, estavam estacionados os veículos nos quais estavam descansando enquanto esperavam seus parentes vindos do Equador.Caso estejam sob as 40 mil toneladas de escombros - de acordo com números do governo regional de Madri - as possibilidades de estarem vivos são nulas, segundo afirmaram responsáveis dos bombeiros."Esperamos poder resgatar os cadáveres. A possibilidade de sobrevivência é mínima, para não dizer nula", afirmou o inspetor dos bombeiros da região de Madri, Luis Villarroel, que explicou que a partir de agora "é preciso trabalhar cuidadosamente para não alterar provas e encontrar as possíveis vítimas".

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