Milhares se reúnem para apoiar movimento islâmico na Somália

Radicais muçulmanos da Somália prometeram travar uma guerra santa contra qualquer grupo que tentar impedir seus avanços militares. Nesta quarta-feira, líderes islâmicos organizaram uma manifestação que atraiu pelo menos cinco mil pessoas na cidade portuária de Kismayo."Os tempos de incerteza e hipocrisia acabaram. Em nome de Deus, vamos lutar contra nossos inimigos", disse o oficial islâmico Mohammed Wali Sheik Ahmed.A milícia tomou conta de Kismayo, um dos últimos portos que permaneciam fora de seu controle e a terceira maior cidade da Somália, que até a semana passada não havia registrado conflito. Nesta quarta, atiradores muçulmanos vigiaram os simpatizantes a partir de uma dúzia de veículos equipados com armas. Os manifestantes eram em sua maioria mulheres e estudantes de escolas islâmicas de Kismayo. As mulheres carregavam copias do Corão e os jovens vestiam uniformes escolares verde-amarelos.A multidão condenava a interferência da vizinha Etiópia, que está por trás do fraco governo oficial do país."Viemos aqui para apoiar as cortes islâmicas e rejeitar a Etiópia", disse a professora de inglês Suleiman Omar, de 30 anos. "Etiópia é contra a paz e a estabilidade que surgiram com as cortes islâmicas, que estão atuando de acordo com nossos interesses e desejos." Avanço Desde que tomaram a capital Mogadishu, em junho, os radicais dominam boa parte do sul somali. Terça à noite, os milicianos avançaram a 20 quilômetros da única cidade controlada pelo governo, Moode Moode - o mais próximo que chegaram dos quartéis-generais da administração -, informou um oficial islâmico.O grupo começou patrulhar a área durante 24 horas, disse o líder local da milícia Mohammed Ibrahim Bilal. "Nosso objetivo era ajudar os moradores locais a lutar contra os bandidos e montar barreiras na estrada que liga Baidoa aMogadishu", disse.Para um dos porta-vozes do governo baseado em Baidoa, Abdirahman Dinari, o avanço da milícia é um "ato de provocação".A Somália não tem governo nacional efetivo desde 1991, quando comandantes militares derrubaram o ditador Mohammed Siad Barre e depois viraram-se uns contra outros, transformando o país em uma anarquia.Com ajuda das Nações Unidas, um governo transitório foi criado em 2004 com a esperança de restaurar a ordem, mas falhou em manter a autoridade.

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