Milhares vão às ruas contra Obama

Irritados com plano de saúde pública defendido por presidente, manifestantes ocupam vários quarteirões da capital

, O Estadao de S.Paulo

13 de setembro de 2009 | 00h00

Uma manifestação contra o governo do presidente americano, Barack Obama, organizada por grupos de contribuintes reuniu ontem milhares de pessoas em Washington, nos EUA. Os manifestantes caminharam pelas ruas da capital americana segurando cartazes com frases de descontentamento e gritando críticas ao governo, em protesto contra o que consideram uma intromissão cada vez maior do governo em suas vidas.

Foi a maior de uma série de manifestações que vêm ocorrendo desde o início do verão americano. Em princípio, elas tinham como alvo a política de saúde pública de Obama, mas passaram a expressar uma insatisfação mais generalizada em relação à atuação do governo e do Congresso.

"Nós estamos sob o ataque do nosso próprio governo", dizia um cartaz. "Não pise sobre mim", dizia outro. "Quero que o Congresso sinta medo", disse Keldon Capp, de 45 anos, um representante de marketing do Tennessee que perdeu seu emprego recentemente. "Como todo mundo aqui, quero que eles saibam que estamos vendo o que estão fazendo."

A multidão, formada por pessoas vindas de diversas partes do país, ocupou, pela manhã, todo o gramado a oeste do Capitólio e, aos poucos, foi se expandindo na direção da área onde está localizado o National Mall. De lá, os manifestantes - que se identificavam como republicanos, libertários e independentes - partiram em caminhada pela Avenida Pennsylvania até chegar à Casa Branca.

Vinte minutos antes do início da marcha, a polícia já insistia para que os manifestantes começassem a andar, temendo que a Freedom Plaza, perto da Casa Branca, não comportasse a crescente multidão. Os policiais não souberam precisar, porém, o número de pessoas que participaram do evento.

FESTIVIDADE

Enquanto os manifestantes caminhavam, o helicóptero Marine One, que levava Obama para Minnesota - onde o presidente buscaria apoio ao seu plano de saúde pública - pôde ser visto sobrevoando a multidão.

"As pessoas que estão aqui não são de nenhum grupo radical de direita", disse o senador republicano Jim DeMint, um dos poucos políticos que participaram da manifestação. "Só espero que o Congresso, o Senado e o presidente reconheçam que as pessoas estão com medo do que está acontecendo."

Apesar do tom agressivo dos cartazes, havia também um clima de festividade no ar. Um grupo de manifestantes vestiu-se como combatentes da Revolução Americana, enquanto um cantor de folk tocava, ao violão, canções de protesto, que eram entoadas pelos demais participantes.

Nas últimas semanas, pesquisas têm indicado uma acentuada queda na popularidade de Obama - entre 13 e 17 pontos porcentuais, dependendo da fonte -, principalmente por causa da polêmica em torno da reforma da saúde.

Muitos dos manifestantes se referiam, de maneira pejorativa, à política de saúde de Obama como "socialismo". Mas o descontentamento da multidão não era dirigido apenas ao presidente. "É mais do que Obama. Essa não é uma questão republicana ou democrata", disse a professora Ruth Lobbs, de 57 anos, que foi da Flórida até Washington para participar do protesto. "Não sei se isso vai mudar alguma coisa, mas é uma maneira pacífica de demonstrar a nossa frustração", afirmou.

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