Ronald Wittek/EFE
Ronald Wittek/EFE

Milhares vão às ruas na Alemanha protestar contra confinamento

Manifestantes de extrema direita e esquerda radical foram às ruas de várias cidades do país contra as restrições impostas pela pandemia de coronavírus, um movimento que preocupa as autoridades

Redação, O Estado de S.Paulo

16 de maio de 2020 | 15h09

BERLIM - Milhares de pessoas, principalmente da extrema direita e da esquerda radical, manifestaram-se neste sábado, 16, em várias cidades da Alemanha contra as restrições impostas pela pandemia de coronavírus, um movimento que preocupa as autoridades.

Em Stuttgart, a prefeitura autorizou as manifestações com a condição de que não reunisse mais de 5 mil pessoas. No entanto, um número muito maior participou do evento, o que levou a polícia a dispersar parte dos manifestantes para as ruas próximas, informou a polícia.

Em Munique, sul do país, ocorreu algo semelhante. Mil manifestantes - o máximo autorizado - se reuniram no parque onde normalmente é realizado o Festival da Cerveja. 

"Inúmeras pessoas se concentraram" nos arredores, porém, sem respeitarem as distâncias de segurança, afirmaram agentes no local. Segundo a polícia, os policiais "intervieram contra aqueles que se recusavam a sair".

'Alto nível de agressividade'

No total, foram realizados protestos em mais de uma dúzia de cidades, e todas foram rigorosamente monitoradas pela polícia, devido às restrições de aglomeração.

Em Frankfurt (oeste), cerca de 1.500 manifestantes se reuniram, enquanto um número semelhante de contramanifestantes também saiu às ruas aos gritos de "fora, nazistas!".

Manifestações também ocorreram em Berlim, em Bremen (norte, 300 pessoas), Nuremberg (sul), Leipzig (leste), todas com um fluxo de várias centenas de manifestantes; e em Dortmund, no oeste.

"Estamos aqui, porque nos preocupamos com as liberdades políticas", afirmou Sabine, de 50 anos, em Dortmund.

Os manifestantes (militantes extremistas, defensores das liberdades civis, oponentes às vacinas e até antissemitas) protestam contra o uso de máscaras, ou contra as restrições de circulação que permanecem em vigor depois do desconfinamento. Alguns reivindicam o direito de se infectar.

Na semana passada, a violência marcou algumas manifestações. Na sexta-feira, manifestantes depositaram em frente à sede local do partido da chanceler Angela Merkel uma réplica de uma lápide com rosas vermelhas, velas e a mensagem: "liberdade de imprensa, liberdade de opinião, movimento e reunião - DEMOCRACIA 1990-2020".

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A equipe de Merkel não esconde sua preocupação com o "alto nível de agressividade" dos protestos, nas palavras do porta-voz do governo Steffen Seibert.

Essas manifestações permitem "juntar antissemitas, conspiracionistas e negacionistas", adverte o comissário do governo no combate ao antissemitismo, Felix Klein.

Para ele, "não é surpreendente que as teorias antissemitas voltem a florescer na crise atual". "Os judeus foram culpados pelas epidemias da peste, acusados de envenenar os poços", lembrou ele, em entrevista ao jornal Süddeutsche Zeitung. /AFP 

 

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