Milhões de egípcios festejam ''dia da vitória''

Em todo país, atos celebraram fim da ditadura e cobram de poder militar transição à democracia; 365 vítimas da revolução são homenageadas

REUTERS e AP,

19 de fevereiro de 2011 | 00h37

Milhões de egípcios tomaram as ruas ontem para celebrar o "novo Egito" e lembrar aos militares no poder sua promessa de mudar o regime do país para a democracia. Na Praça Tahrir, no Cairo, epicentro dos 18 dias de protestos que tiraram o presidente Hosni Mubarak do poder, dezenas de milhares ostentaram bandeiras e realizaram as orações da sexta-feira, dia de descanso muçulmano.

No chamado "dia da vitória", os manifestantes lembraram com emoção dos 365 egípcios mortos durante os protestos. Muitos declaravam aguardar a concretização da promessa do governo interino de organizar eleições daqui a seis meses.

"Essa é uma mensagem séria para os militares", disse Mohamed el-Said, de 28 anos, gesticulando na direção da multidão. Ele contou que viajou de Porto Said ao Cairo para participar da manifestação. "Depois de hoje (ontem) fica óbvio que se eles (os militares) não protegerem a revolução e atenderem as exigências do povo, a próxima vez que viermos à Tahrir traremos nossos cobertores - como antes."

As orações na praça foram conduzidas pelo influente clérigo egípcio Youssef el-Qaradawi. O religiosos saudou os manifestantes afirmando que "os ilegítimos nunca conseguem derrotar a verdade". "Congratulo os jovens. Eles sabiam que a revolução vence no final. A revolução não acaba enquanto não tivermos um novo Egito", disse. A aparição de El-Qaradawi e a ampliação do envolvimento da Irmandade Muçulmana - proscrita até pouco antes da queda de Mubarak - na transição de governo mostram a aceitação dos egípcios aos movimentos islâmicos.

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