Milhões pedem a saída de Morsi do governo do Egito

Milhões de egípcios tomaram as ruas neste domingo em um protesto nacional contra co presidente Mohammed Morsi, em uma demonstração popular que rivaliza com o tamanho das demonstrações que derrubaram o então presidente Hosni Mubarak mais de dois anos atrás.

EQUIPE AE, Agência Estado

30 Junho 2013 | 17h29

Desde o começo da manhã, os manifestantes marchavam pelas ruas dificultando a passagem dos poucos carros que se atreviam a enfrentar os manifestantes. Lojas e restaurantes permaneceram fechados em meio aos temores de violência.

Embora as manifestações tenham sido pacíficas, uma pessoa morreu e cerca de 40 ficaram feridas neste domingo nos confrontos entre apoiadores e oponentes do presidente do Egito Morsi, na província de Beni Sueif, sul do Cairo, informou a polícia.

Os confrontos ocorreram do lado de fora da sedo do Partido Justiça e Liberdade, braço político da Irmandade Muçulmana, informou uma fonte, acrescentando que os feridos foram levados a um hospital.

Mais cedo, a principal coalizão de oposição do Egito pediu que os milhares de manifestantes que defendem a saída de Morsi do governo permaneçam nas ruas até que seus objetivos sejam garantidos.

Em um comunicado intitulado "Comunicado Revolucionário 1", eles pedem que "todas as forças revolucionárias e todos os cidadãos permaneçam em paz em todas as praças, ruas, vilas aldeias do país até que o regime ditatorial caia."

Milhares de oponentes do presidente do Egito tomaram as ruas do Cairo e de outras partes do país pedindo a saída de presidente do Governo, no dia do aniversário de um ano de Morsi no poder.

Logo cedo, milhares de opositores e simpatizantes do presidente do Egito, Mohammed Morsi, se reuniam nas praças do Cairo, capital egípcia, para manifestações concorrentes marcadas para este domingo. Eles se preparavam para um dia de grandes protestos em todo o país, em um momento em que a oposição tenta tirar Morsi do poder.

Agitando bandeiras egípcias, multidões desciam a Praça Tahrir, no coração do Cairo, um dos vários locais na capital e em todo o país onde estão planejados protestos. Gritos de "erhal!" ou "saia!" ecoavam na praça, berço da revolta que derrubou o ditador Hosni Mubarak em 2011. Do outro lado da cidade, milhares de apoiadores do líder islâmico se reuniam não muito longe do palácio presidencial, em uma demonstração de apoio. Alguns usavam armadura corporal caseira e carregavam escudos e tacos - segundo eles, precauções contra uma possível irrupção de violência.

Há um sentimento entre opositores e simpatizantes de Morsi que hoje é um dia decisivo, despertando preocupações de que os dois lados podem acabar se enfrentando, apesar das promessas de ambos de manter a paz. Pelo menos sete pessoas, incluindo um norte-americano, foram mortas em confrontos na semana passada, principalmente em cidades do Delta do Nilo e na cidade costeira de Alexandria.

As manifestações deste domingo, dia do aniversário da posse de Morsi como primeiro líder eleito em um pleito democrático no Egito, representam o ápice da polarização da população desde que ele assumiu o cargo.

De um lado, estão o presidente e seus aliados islâmicos, inclusive a Fraternidade Islâmica e grupos mais linha-dura. Eles se comprometeram a defender Morsi, dizendo que manifestações de rua não podem remover um líder eleito por voto. Entre os opositores, estão egípcios seculares e liberais, bem como muçulmanos e cristãos moderados. Para a oposição, trata-se de uma ampla gama da população que se revoltou contra os islâmicos. Eles argumentam que o presidente ultrapassou as atribuições permitidas pelo mandato e acusam-no de tentar monopolizar o poder e administrar mal o país.

Relatórios policiais neste domingo informavam a apreensão de armas de fogo, explosivos e até mesmo granadas de artilharia em vários locais do país.

Em uma entrevista publicada hoje no jornal The Guardian, Morsi, que ainda tem três anos de mandato para cumprir, disse que não tinha planos de atender ao pedido dos manifestantes de antecipação das eleições presidenciais. "Se nós mudamos alguém no cargo que (foi eleito) de acordo com legitimidade constitucional - bem, haverá pessoas ou oponentes ao novo presidente também, e, uma semana ou um mês depois, eles vão pedir-lhe que deixe o poder", disse o presidente egípcio. "Não há espaço para qualquer discurso contra essa legitimidade constitucional."

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