Milícia aimará da Bolívia arma-se por Constituinte

Os Ponchos Rojos (Ponchos Vermelhos), milícia indígena aimará, declararam ontem guerra à "oligarquia" boliviana e sacrificaram animais para defender a Assembléia Constituinte, instalada em Sucre desde agosto de 2006. Uma reunião de cúpula da organização decidiu defender a permanência da sede do governo em La Paz e convocou uma marcha para Sucre no domingo."O conselho aprovou a declaração do estado de guerra e esta tarde (ontem) começou a organizar as chefias militares e os quartéis-generais para ir a Sucre no domingo à noite para defender a sede do governo (para que ela permaneça em La Paz) custe o que custar", afirmou Edgar Ramos, dirigente civil de Achacachi, oeste de La Paz, onde a reunião se realizou. Os indígenas sacrificaram dois cachorros que representavam os "oligarcas e governadores" dos Departamentos (equivalentes a Estados) de Santa Cruz, Tarija, Pando, Beni e Cochabamba que, no início da semana, convocaram uma "desobediência civil". Ramos explicou que o sacrifício é uma mensagem "para que os grupos de direita deixem Sucre antes da chegada dos indígenas à cidade". "Nesse momento, estamos tomando os armamentos ideológicos, os armamentos materiais e os armamentos que foram deixados por nossos antepassados", disse. "Vamos defender a Constituinte até o fim."As sessões da Constituinte - que tem até o dia 14 para entregar a nova Constituição - estão suspensas há três meses por impasses referentes à questão da capital do país. Sucre é a capital constitucional da Bolívia, mas só abriga o Poder Judiciário. La Paz tornou-se sede do Legislativo e Executivo em 1899, após uma guerra civil.Ontem, partidários do presidente Evo Morales voltaram a protestar para pressionar pela aprovação da nova Carta e o porta-voz presidencial, Alex Contreras, garantiu a segurança do Senado diante das ameaças de invasão do órgão. Na quarta-feira, milhares de manifestantes de El Alto marcharam 12 quilômetros até La Paz para protestar contra a demora do Senado, de maioria opositora, em aprovar os projetos do presidente.AP E AFP

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