Milícia ataca comboio de ajuda a vítimas em Mianmar

O grupo é de uma organização paramilitar aliada ao regime governamental atual

EFE

10 de maio de 2008 | 04h15

Um comboio de ajuda humanitária destinada às vítimas do ciclone "Nargis" em Mianmar (antiga Birmânia) foi atacado e saqueado por membros de uma organização paramilitar aliada ao regime, e que participou da repressão dos protestos de setembro do ano passado. Armados com cassetetes e facas, vários integrantes da "Swan-ar Shin", uma "milícia patriótica" financiada pela Junta Militar, assaltaram os veículos de uma ONG não identificada e se apropriaram de parte do arroz que seria distribuído aos desabrigados. Testemunhas citadas pela publicação dissidente "The Irrawaddy" indicaram que o ataque aconteceu há dois dias no município de Thanlyin, ao sul de Yangun, a maior cidade do país. Os paramilitares não levaram todo o alimento, pois quiseram deixar um pouco para a Associação para o Desenvolvimento e Solidariedade da União (USDA), a milícia pró-governamental mais importante do país e que deseja se transformar em partido político para apresentar-se às eleições que o Governo birmanês anunciou para 2010. Um voluntário que atua na região afirmou que é preciso pedir permissão e entregar parte dos mantimentos à USDA para ter acesso às zonas atingidas pelo ciclone. A USDA, uma milícia de aproximadamente 24 milhões de filiados auspiciada pela Junta Militar, é usada pelo regime para intimidar opositores e colaborou ativamente na repressão dos protestos a favor da democracia de setembro. Seus membros patrulham as ruas das principais cidades do país, armados com cassetetes e varas para bater em monges, estudantes ou outros ativistas, e habitualmente organizam atos "espontâneos" de respaldo ao regime. Em 2003, vários de seus militantes participaram de um atentado contra a caravana da líder opositora Aung San Suu Kyi, um ataque que deixou mais de 100 mortos e levou a Junta Militar a colocar a Nobel da Paz sob prisão domiciliar. Pelo menos 23 mil pessoas morreram, 42 mil estão desaparecidas e 1,5 milhão perderam seus lares na passagem do ciclone por Mianmar.

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