Milícia diz ter matado 1,7mil no Iraque

Insurgentes sunitas publicam fotos de soldados sob a mira de fuzis; governo iraquiano responde e declara que matou 279 rebeldes

BAGDÁ, O Estado de S.Paulo

16 de junho de 2014 | 02h02

O Estado Islâmico do Iraque e do Levante (Isil, na sigla em inglês) - milícia sunita radical que avança contra o governo xiita iraquiano, tomando posições no norte do país - declarou ontem que executou 1,7 mil soldados desde o início da recente ofensiva, na terça-feira. As autoridades iraquianas reforçaram a defesa de Bagdá, para onde os jihadistas avançam.

Para provar que realmente massacrou centenas de soldados, o grupo insurgente postou no Twitter imagens de dezenas de homens - segundo o Isil, militares com roupas civis - sob a mira de armas apontadas por rebeldes com o rosto coberto.

A autenticidade das perturbadoras imagens e a veracidade da matança não puderam ser verificadas. Na Província de Salahuddin - local das execuções - os rebeldes tomaram as cidades de Baiji e Tikrit e houve relatos de um grande número de funerais.

Se o massacre que o Isil afirma ter praticado tiver realmente as dimensões que o grupo insurgente diz, será a pior atrocidade em massa cometida no Oriente Médio nos últimos tempos - além de trazer um espectro de genocídio ao conflito, já que, segundo os radicais sunitas, as vítimas eram xiitas.

Ontem, o governo iraquiano respondeu e garantiu ter matado, em 24 horas, 279 insurgentes. Encorajadas por um chamado às armas do principal clérigo xiita do Iraque, o aiatolá Ali al-Husseini al-Sistani, milícias xiitas, apoiadas pelo Irã, se moveram rapidamente para o centro do cenário político iraquiano.

O escritório de Sistani, porém, emitiu uma revisão da conclamação ao combate, realizada na sexta-feira - que ocasionou filas em centros de recrutamento das forças oficiais. Em comunicado, ele pede que as pessoas dispostas a pegar em armas, especialmente aqueles que vivem em regiões mistas, "exerçam o mais alto grau de autocontrole durante esse tumultuado período". Testemunhas afirmaram que os insurgentes tomaram ontem a cidade de Tal Afar, no noroeste do país.

Apesar do reforço de segurança em Bagdá, duas explosões mataram ao menos 21 pessoas na capital ontem. Um suicida detonou o colete de explosivos que vestia em um mercado que vende uniformes militares próximo à Zona Verde, região com extremo controle de segurança, que abriga os principais edifícios governamentais e a Embaixada dos EUA no Iraque.

No momento do ataque, o local estava lotado de voluntários para combater os sunitas no norte do Iraque. Testemunhas afirmaram que 15 pessoas morreram. Segundo as autoridades, porém, foram 9 mortos. Mais cedo, no bairro de Bab al-Sheikh, um carro-bomba matou outras 12 pessoas.

Os EUA - que, em razão da insurgência sunita, enviaram ao Iraque o porta-aviões USS George H. W. Bush - afirmaram ontem que a segurança de sua embaixada em Bagdá foi reforçada. Washington anunciou ainda que retirou a maior parte de seus 5,5 mil funcionários da representação diplomática. / NYT, AP, REUTERS e AFP

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