Milícia executa duas jovens acusadas de espionar para governo da Somália

Al-Shabbab tenta derrubar o governo para implantar lei islâmica no país africano

estadão.com.br

28 de outubro de 2010 | 12h53

MOGADISCIO - Um grupo de militantes da Somália executou publicamente duas adolescentes na quarta-feira depois e acusá-las de serem espiãs do governo, informa a rede de notícias CNN nesta quinta-feira, 28, citando testemunhas, familiares das vítimas e membros da própria milícia.

 

"As duas garotas eram más e eram espiãs do inimigo (governo somali), mas os mujahedin capturaram-nas e, depois da investigação, elas confessaram o crime e foram executadas", disse Sheikh Yusuf Ali Ugas, comandante do Al-Shabbab em Beledweyne, no centro do país. O Al-Shabbab é ligado à Al-Qaeda.

 

As adolescentes foram vendadas e tiveram as mão amarradas antes de serem fuziladas, disse um jornalista local. Um morador da cidade disse que o grupo chamou os residentes para assistir à execução. "Centenas de pessoas assistiram. Foi muito ruim, todos estava chocado, mas ninguém podia fazer nada", disse.

 

Um primo de uma das vítimas negou que elas fossem espiãs. "Minha prima, Ayan Mohamed Jama, tinha apenas 16 anos e era absolutamente inocente", disse, sem se identificar com medo de represálias da milícia. "Eles simplesmente capturaram-nas e as executaram por algo que elas não eram", concluiu. Segundo o parente, as famílias não foram autorizadas pelo Al-Shabbab a visitar as garotas na prisão.

 

"Ayan nunca teve nenhum contato com o governo e nem mesmo teve um celular, não podemos entender como ela foi acusada de espionagem", completou a fonte, acrescentando que a outra garota tinha 15 anos.

 

O Al-Shabbab luta contra o governo somali para implantar a Sharia - lei islâmica - no país. A Somália não tem um governo estável desde 1991, quando teve início a guerra entre os militantes e as tropas do governo.

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