Milícia islâmica consolida controle sobre sul da Somália

Milicianos islâmicos tomaram mais duas cidades no sul da Somália, sem lutas, nesta terça-feira, segundo os habitantes do local, consolidando seu controle sobre a região. O grupo islâmico tomou o controle de Af Madow, a 120 quilômetros da cidade portuária de Kismayo, por volta do meio-dia. Mais cedo, no mesmo dia, o grupo tomou Bu´ale, a 210 quilômetros de Kismayo. Af Madow era controlada por aliados do grupo islâmico. O grupo, chamado de Conselho Consultivo das Cortes Islâmicas, pretende consolidar o seu controle ao estabelecer a sua própria administração mesmo em cidades já controladas por seus aliados. Um morador de Af Madow, falando em condição de anonimato por medo de represálias, disse que os milicianos chegaram "e os milicianos locais desapareceram". O morador gravou uma conversa com seu celular Inde era possível ouvir Hassan Turki, líder dos milicianos que tomaram a cidade, dizendo acreditar que uma força de paz internacional entraria na Somália por essa parte do país. "Nós não permitiremos que eles façam isso. Nós os combateremos usando o nosso poder e o dos nossos muçulmanos", disse Turki.O frágil governo interino da Somália, cada vez mais colocado de lado pelo grupo islâmico, pediu por forças de paz regionais para restaurar a ordem. O grupo islâmico se opõe à interferência externa. Ahmed Abdi Hashi, morador de Bu´ale, disse que os milicianos islâmicos tomara sua cidade no início da terça-feira sem confrontos, e circulavam em caminhonetes com metralhadoras. A Somália não tem um governo nacional efetivo desde 1991, quando senhores da guerra depuseram o ditador Mohamed Siad, passando a lutar entre si, levando o país ao caos. O governo de transição, formado há dois anos no vizinho Quênia, lutou para afirmar sua autoridade, enquanto o grupo tomava a capital Mogadício, após confrontos com senhores da guerra em junho. Agora as Cortes Islâmicas controlam a maior parte do sul. Tropas da Etiópia foram vistas na Somália, enviadas para apoiar o governo, apesar da Etiópia negar publicamente que suas tropas estejam no país. A interpretação estrita e, às vezes, severa do islã, traz a memória do regime talibã no Afeganistão, que foi deposto pela campanha militar liderada pelos EUA. Washington acusa o grupo islâmico da Somália de abrigar suspeitos dos ataques a bomba da Al Qaeda às embaixadas americanas no Quênia e na Tanzânia. Bin Ladendisse que a Somália é o seu campo de batalha no oeste.

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