Milícia islâmica reivindica autoridade sobre toda a Somália

Líderes muçulmanos que dominam o sul da Somália reivindicaram nesta quinta-feira autoridade sobre todo o restante do país, expondo a fragilidade do governo interino apoiado pela Organização das Nações Unidas (ONU). O xeque Sharif Sheikh Ahmed, líder do conselho executivo da União das Cortes Islâmicas, fez o comentário durante entrevista coletiva convocada para anunciar a reestruturação do grupo.No último fim de semana a União das Cortes Islâmicas promoveu eleições internas e incorporou dezenas de novos membros para liderar tribunais islâmicos em toda a Somália.Ahmed recusou-se a responder a questões durante o encontro com jornalistas.O anúncio vem à tona apenas uma semana depois de a União das Cortes Islâmicas ter reconhecido o governo provisório e prometido suspender todas as suas ações militares, sinalizando boa vontade para acomodar as preocupações da comunidade internacional. Ahmed, então líder supremo da milícia, foi substituído pelo xeque Hassan Dahir Aweys, um clérigo radical acusado pelos Estados Unidos de colaborar com a rede extremista islâmica Al-Qaeda.Na quarta-feira, a União das Cortes Islâmicas anunciou que não consultaria ninguém sobre como governar Mogadiscio. Ahmed respondia às críticas de que o grupo teria violado um acordo de suspensão das hostilidades ao tomar, na terça-feira, um posto de pedágio operado por um senhor da guerra secular nos arredores de Mogadiscio. Seis pessoas morreram no incidente. "Somos responsáveis pela segurança na capital. Aqueles que nos acusam de violar o acordo não entenderam o que diz o acordo", declarou Ahmed.Nesta quinta-feira, milicianos islâmicos desmantelaram mais um posto operado por senhores da guerra seculares perto do mercado de armas de Mogadiscio. Não houve confronto.Em 5 de junho, a milícia fundamentalista islâmica tornou-se o primeiro grupo a consolidar o controle de toda a cidade de Mogadiscio em 15 anos.A milícia vinha lutando com uma aliança de senhores da guerra seculares pelo controle do país. A situação agravou-se a partir de fevereiro. A partir de então, mais de 300 pessoas morreram e 1.700 ficaram feridas.O governo interino apoiado pela ONU exerce pouca ou nenhuma influência fora de Baidoa, uma cidade situada 150 quilômetros a noroeste de Mogadiscio. Crise A Somália afundou no caos a partir de 1991, quando senhores da guerra derrubaram o ditador Mohamed Siad Barre e depois voltaram-se uns contra os outros. Desde então, o país encontra-se sem um governo central.A situação do país assemelha-se em parte ao que ocorreu no Afeganistão. Milícias islâmicas são acusadas de laços com a rede extremista Al-Qaeda e forças seculares de receber ajuda dos Estados Unidos.Os fundamentalistas islâmicos apresentam-se como uma força alternativa capaz de levar ordem ao país. Da mesma forma, o Taleban construiu sua base de apoio no Afeganistão mantendo a ordem com mão de ferro depois de anos de violência generalizada em meio a um conflito entre senhores da guerra locais após a queda do governo comunista.

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