Milícia islâmica somali assume controle de mais uma cidade estratégica

Milicianos islâmicos assumiram nesta quarta-feira o controle de mais uma cidade estratégica na Somália depois que soldados leais a senhores da guerra seculares fugiram de Jowhar, o último bastião das forças laicas no sul deste conturbado país africano, disseram testemunhas.Os milicianos atacaram a cidade em três frentes. Ao perceberem a ofensiva, os soldados leais aos senhores da guerra fugiram pelo leste. Na semana passada, os milicianos islâmicos já haviam expulsado os senhores da guerra de Mogadiscio, a capital somali.De acordo com testemunhas, pelo menos 19 pessoas morreram. Os corpos foram levados ao principal hospital de Jowhar. Os mortos seriam 18 combatentes e um civil provavelmente pego no fogo cruzado.Os milicianos islâmicos já patrulhavam as ruas de Jowhar durante a tarde desta quarta-feira. Um dos comandantes, identificado como xeque Hassan, era visto dizendo aos civis que tudo estava sob controle e que todos podiam ficar calmos.Com isso, a União das Cortes Islâmicas controla agora todo o sul da Somália. A exceção é Baidoa, uma cidade a 250 quilômetros de Mogadiscio onde está estabelecido um governo provisório apoiado pela Organização das Nações Unidas (ONU).O nordeste da Somália é controlado por um governo autônomo compartilhado aliado ao governo de transição liderado pelo presidente Abdullahi Yusuf. Diversos senhores da guerra refugiaram-se na região.Sob condição de anonimato, fontes no governo americano dizem que Washington coopera com os senhores da guerra seculares. Os funcionários não falam abertamente sobre o assunto por causa da gravidade da situação.O objetivo dos EUA seria impedir que toda a Somália seja tomada por militantes islâmicos considerados simpáticos à rede extremista Al-Qaeda.O presidente do governo de transição da Somália Abdullahi Yusuf Ahmed, acusa os Estados Unidos de financiarem os senhores da guerra. Oficialmente, porta-vozes do governo americano não confirmam nem negam a denúncia.A situação na Somália assemelha-se em parte ao que ocorreu no Afeganistão. Milícias islâmicas são acusadas de laços com a rede extremista Al-Qaeda e forças seculares de receber ajuda dos Estados Unidos.Os fundamentalistas islâmicos apresentam-se como uma força alternativa capaz de levar ordem ao país. Da mesma forma, o Taleban construiu sua base de apoio no Afeganistão mantendo a ordem com mão de ferro depois de anos de violência generalizada em meio a um conflito entre senhores da guerra locais após a queda do governo comunista.A Somália afundou no caos a partir de 1991, quando senhores da guerra derrubaram o ditador Mohamed Siad Barre e depois voltaram-se uns contra os outros. Desde então, o país encontra-se sem um governo central.

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