SIMON MAINA / AFP
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Ataque terrorista mata 14 em hotel do Quênia

Grupo radical islâmico somali Al-Shabab assumiu a autoria do atentado a bomba e tiros em Nairóbi, que também deixou 30 feridos

Redação, O Estado de S.Paulo

15 de janeiro de 2019 | 13h17

NAIRÓBI- Um ataque contra um complexo de hotel e escritórios na capital do Quênia deixou ao menos 14 mortos, segundo o necrotério local. O grupo radical islâmico Al-Shabaab, radicado na Somália e vinculado à Al-Qaeda, reivindicou nesta terça-feira, 15 a autoria do ataque, que também deixou mais de 30 feridos.

Segundo a polícia, o ataque coordenado começou com uma explosão que atingiu três veículos diante de um banco, enquanto um suicida detonou um explosivo no lobby do hotel. Depois homens armados invadiram o complexo atirando, fazendo com que funcionários fugissem ou se escondessem embaixo de suas mesas.

 

A polícia acreditava que os agressores ainda poderiam estar dentro do luxuoso complexo 14 Riverside Drive, por isso iniciou uma busca nas instalações, onde funcionários do governo estavam para uma reunião no momento do ataque.

Horas depois, o ministro do Interior, Fred Matiang’i, disse que a situação estava sob controle e as forças de segurança estavam nos estágios finais das buscas.

Um funcionário de inteligência disse que o país está em alerta elevado desde novembro por causa de informações sobre potenciais ataques contra importantes alvos em Nairóbi.

“Explodiram a porta principal do hotel e havia um braço humano cortado a partir do ombro na rua”, disse Serge Medic, dono de uma empresa de segurança que correu ao local para ajudar civis quando ouviu sobre o ataque. Medic, que estava armado, entrou no prédio com um policial e dois soldados, mas eles foram atacados e revidaram.

“Um homem disse que viu dois homens armados com lenços na cabeça e bandoleiras de balas”, disse Medic à Reuters, com o som de tiros no fundo, mais de duas horas após o início do ataque.

Uma mulher baleada na perna foi carregada para fora do prédio e três homens cobertos de sangue deixaram o local. Alguns funcionários conseguiram fugir pela janela. Muitos disseram à Reuters que tiveram de deixar colegas para trás, ainda escondidos debaixo de suas mesas.

Uma testemunha, que se identificou apenas como Ken, disse ter visto cinco corpos na entrada do hotel. “Havia pessoas gritando por ajuda, mas quando corremos para resgatá-las tiros começaram a ser disparados do alto das escadas, então tivemos de nos esconder”, disse.

O Quênia tem frequentemente sido alvo do Al-Shabab, que matou dezenas de pessoas em um shopping em 2013 e quase 150 estudantes em uma universidade em 2015.

“Estamos por trás do ataque em Nairóbi. A operação está em andamento”, disse Abdiasis Abu Musab, porta-voz de operações militares do grupo. O Al-Shabab, que significa “juventude” em árabe, surgiu como uma ala radical da extinta União das Cortes Islâmica da Somália em 2006, enquanto combatia forças etíopes que invadiram o país para apoiar o fraco governo interino. Estima-se que, atualmente, o grupo tenha de 7 mil a 9 mil combatentes, incluindo estrangeiros.

Segundo o site do complexo, o 14 Riverside tem escritórios de companhias internacionais incluindo a BASF, Colgate Palmolive, Reckitt Benckiser, Pernod Ricard, Dow Chemical e SAP, assim como o hotel DusitD2, parte do grupo tailandês de hotéis Dusit Thani./ AEUTERS E AFP

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