Milícia xiita ataca universitários em protestos no Irã

Violentos choques entre integrantes da milícia de costumes xiita e universitários marcaram hoje os protestos contra a condenação à morte de um professor de história reformista. Os incidentes marcaram uma rarademonstração pública de críticas ao supremo líder islâmico iraniano. Os estudantes organizaram a manifestação em apoio ao professor Hashem Aghajari na Universidade Técnica Sharif, em Teerã, onde eles foram surpreendidos por centenas de basiji (os milicianos xiitas) no exato momento em que um dos universitários falando pelo microfone, criticava o líder supremo, aiatolá Ali Khamenei. Cerca de 3.000 alunos da universidade, disseram testemunhas, foram cercados e em seguida ferozmente espancados por cerca de 700 milicianos fundamentalistas após exigirem aos gritos liberdade e criticarem Khamenei e outros clérigos por impedirem a aprovação de reformas políticas e sociais propostas pelo presidente Mohammad Khatami. Eles também exigiram a realização de um referendo para medir o apoio popular às reforams propostas por Khatami. Após os conflitos, a polícia cercou a universidade pelo lado de fora para impedir a aproximação de populares. O número de feridos não foi confirmado, mas foram vistos vários estudantes carregando colegas com ferimentos. O caso de Aghajari - que questionou a interpretação do Islã feita pelos clérigos de linha dura - fez crescerem as tensões entre os reformistas, muitos deles estudantes, que exigem maior liberdade social e política, e os religiosos fundamentalistas xiitas, que no Irã controlam o Judiciário, a polícia e outros setores do poder. As manifestações de apoio a Aghajari vêm se repetindo regularmente desde mais cedo este mês, após ser anunciado o veredicto contra ele. Tais protestos se tornaram uma das mais fortes demonstrações contra os membros do Conselho da Revolução, que constituem a máxima autoridade na República Islâmica do Irã.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.