Milicianos xiitas controlam 3 cidades iraquianas

A milícia radical xiita comandada pelo clérigo Muqtada al-Sadr controlava hoje três cidades ao sul de Bagdá: Kut, Kufa e Najaf, enquanto guerrilheiros sunitas mantinham, pelo quarto dia, pesados combates com forças da coalizão liderada pelos EUA pelo controle de Faluja, no centro do Iraque. Um ano depois da tomada de Bagdá pelas forças americanas, o comandante militar dos EUA no Iraque, general Ricardo Sanchez, admitiu implicitamente a perda parcial do controle das três cidades xiitas ao afirmar que seus soldados "estão na iminência" de retomar o controle de Kut, "fazendo bons progressos" em Najaf e Kufa, além de combaterem ferozmente para "quebrar a resistência" em Faluja. Sanchez acrescentou que a operação de combate à milícia Mahdi de Al-Sadr, recebeu o nome de Espada Resoluta. Segundo o comandante, aparentemente há "vínculos em pequeno grau" entre os insurgentes xiitas e sunitas e "sinais de táticas bem planejadas" na ação entre os milicianos Mahdi que lutam em Najaf e Kut. Numa evidência de que xiitas e sunitas - facções islâmicas rivais e normalmente inimigos irreconciliáveis - estão unidos na resistência à ocupação americana, retratos de Al-Sadr e pichações com slogans de apoio ao líder radical se espalhavam hoje por redutos da seita sunita em Bagdá. De acordo com Sanchez, a ofensiva dos rebeldes em Najaf contou com o apoio de franco-atiradores postados nos telhados que atiravam contra os soldados espanhóis que guarneciam a cidade, tática que demonstra um razoável grau de coordenação militar da guerrilha. "Ainda não temos informações mais precisas sobre o tipo de batalha terrestre em outras cidades." A tomada do controle de Kut e Kufa se deu depois que forças ucranianas deixaram a cidade ante o avanço da guerrilha xiita. Os rebeldes xiitas também combatem forças polonesas em Kerbala e os choques se espalham ainda por Nassíria, Ramadi, Baquba, partes de Basra e de Bagdá. Adotando uma nova tática para pressionar as forças estrangeiras que estão no país apoiando a ocupação americana, grupos rebeldes seqüestraram 13 civis - 3 japoneses, 8 missionários sul-coreanos e 2 árabes-israelenses. Sete religiosos sul-coreanos foram libertados pouco depois da captura após um deles ter conseguido escapar. Os japoneses, no entanto, permanecem em poder de um grupo autodenominado Esquadrão Mujahedin - que ameaça queimar os reféns vivos se o Japão não retirar suas tropas do Iraque em três dias. Preocupadas com a segurança de seus funcionários, agências humanitárias internacionais estudam a possibilidade de deixar o país. Em Faluja, onde os choques são mais intensos, entre 280 e 300 iraquianos foram mortos e 400 ficaram feridos nos últimos quatro dias, de acordo com o diretor de um hospital local. O comando americano admitiu a morte de dois de seus marines, ampliando para 637 o número de soldados dos EUA mortos no Iraque - 447 deles, em combate - desde o início da guerra. O administrador americano no Iraque, Paul L. Bremer, reiterou advertências feitas na véspera pelo secretário de Defesa, Donald Rumsfeld, de que as cidades sagradas xiitas não são seguras para peregrinos. Milhares de fiéis são esperados em Najaf para o feriado religioso do Al-Arbain, que marca o fim da Ashura - o período anual de luto pelo martírio do imã Hussein, fundador da seita xiita. No início da Ashura, em 2 de março, explosões simultâneas em mesquitas xiitas de Kerbala e Bagdá deixaram 181 mortos.

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