Milícias ameaçam matar soldado se Israel não cessar ataques

As três milícias palestinas que têm em seu poder o soldado israelense Gilad Shalit ameaçaram, neste domingo, matá-lo se Israel não cessar sua ofensiva militar no norte da Faixa de Gaza imediatamente. Representantes dos três grupos armados que capturaram o soldado em 25 de junho convocaram uma entrevista coletiva em Gaza para fazer seu anúncio e disseram: "Se a ofensiva continuar, a vida do soldado estará em perigo". Os grupos que reivindicaram a autoria da captura do militar israelense são o braço armado do movimento islâmico Hamas, os Comitês Populares de Resistência, aliados do Hamas, e um desconhecido Exército Islâmico. Representantes mascarados dos três grupos afirmaram que "a ocupação e os crimes contra o povo palestino" põem em risco a vida do militar. Horas antes, o ministro de Ameaças Estratégicas israelense, Avigdor Lieberman, ameaçou de morte o primeiro-ministro palestino, Ismail Haniyeh, se o soldado for assassinado por seus seqüestradores. "É preciso advertir que, se algo lhe acontecer (ao soldado), o primeiro-ministro palestino, Ismail Haniyeh, e o ministro do Interior, Said Siyam, passarão a integrar a lista de shahid (mártires)", disse o político ultranacionalista na reunião semanal do conselho israelense de ministros. "Shahid" é o termo com o qual os palestinos denominam seus mortos na luta contra Israel. Em declarações neste fim de semana ao jornal inglês Sunday Telegraph, Lieberman defendeu a separação física total entre israelenses e árabes - com especial ênfase nos árabes-israelenses -, com o intuito de transformar Israel num Estado judeu genuíno e sionista. Mais ataques Pelo menos 47 palestinos morreram desde quarta-feira na nova operação militar israelense em Gaza, que, como as anteriores, procura diminuir a capacidade ofensiva das milícias que costumam disparar foguetes contra o território de Israel. Só neste domingo, cinco foguetes caíram em território israelense, um deles no meio de um mercado, enquanto na Faixa de Gaza outros dois palestinos morreram numa nova ofensiva de Israel. Os foguetes que atingiram a cidade de Sderot foram disparados do norte da Faixa de Gaza, informaram fontes policiais israelenses. Três deles caíram nos arredores da cidade, enquanto outro acertou um mercado e o quinto atingiu as proximidades de um seminário. Fontes militares disseram que, com os novos lançamentos, mais de 900 desses projéteis caíram na cidade este ano. Na quarta-feira, Israel lançou uma nova operação militar na Faixa de Gaza para tentar frear o disparo dos foguetes. O primeiro-ministro israelense, Ehud Olmert, afirmou neste domingo que a operação militar só terminará quando os objetivos fixados por Israel forem cumpridos.

Agencia Estado,

05 Novembro 2006 | 14h35

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.