Milícias anunciam mais seqüestros no Iraque

Em meio a intensos combates pelo controlede cidades iraquianas, um grupo sunita da resistência à ocupaçãodo Iraque pelos EUA anunciou hoje ter capturado quatro refénsitalianos e dois americanos nas proximidades de Bagdá - numaindicação de que o seqüestro de estrangeiros tende a seconverter na nova tática dos rebeldes. Ontem, trêsjaponeses e dois árabes-israelenses foram capturados por umgrupo autodenominado Esquadrão Mujahedin.Fontes do Ministério das Relações Exteriores da Itáliaafirmaram não ter notícia de que haja italianos seqüestrados noIraque. Um correspondente da Agência Reuters, no entanto,informou ter tido acesso ao local de cativeiro dos reféns, umamesquita perto de Faluja, assegurando que se tratava de quatroitalianos que vestiam uniforme do Corpo de Carabineiros.Em Tóquio, o primeiro-ministro japonês, Junichiro Koizuni,afirmou que o Japão não tem planos para retirar seus soldados doIraque - como exigem os seqüestradores de três civis japonesesque ameaçam queimar vivos os reféns. No caso dos refénsárabes-israelenses, acusados pelos insurgentes de estaremespionando para Israel, o presidente da Autoridade Palestina(AP), Yasser Arafat, interveio diretamente para pedir alibertação.Ao mesmo tempo, o general Mark Kimmitt, subcomandante dasoperações americanas no Iraque, informou hoje que o Exército dosEUA retomaria amanhã o controle total de Kut. A cidade, ao sulde Bagdá, tinha sido capturada por milicianos das Brigadas Mahdi lideradas pelo clérigo radical xiita Muqtada al-Sadr, depois detropas ucranianas a terem abandonado na quarta-feira. SegundoKimmitt, a situação militar foi controlada após um comboio demil veículos ter sido deslocado para Kut. "Até amanhã de manhã,vamos impor um forte controle sob todos os edifíciosgovernamentais", acrescentou.Continuam sob controle dos rebeldes de Al-Sadr as cidades deKufa e Najaf - ambas de maioria xiita e ao sul de Bagdá -,apesar do avanço das forças da coalizão, que tentam retomá-las.Em Faluja - cidade a oeste da capital onde se desenvolvem oschoques mais sangrentos e um dos vértices do chamado "triângulosunita" -, as operações militares foram suspensas para que asagências de ajuda humanitária tivessem acesso aos feridos,segundo o administrador americano no Iraque, Paul Bremer. Apausa nos combates, que serviria também para o estabelecimentode negociações entre membros do Conselho de Governo iraquiano elíderes locais, não impediu ataques esporádicos dos rebeldes.Segundo fontes em hospitais de Faluja, pelo menos 450 iraquianosmorreram nos combates iniciados no começo da semana.Nas proximidades da cidade, numa estrada em Abu Gharib,guerrilheiros explodiram um caminhão que transportavacombustível para o Exército americano. Dois soldados dos EUA e omotorista, iraquiano, morreram. Outros três marines americanosforam mortos numa emboscada em Al-Anbar, também perto de Faluja.Um guarda de segurança britânico, que trabalhava para umaempresa americana em Bagdá também morreu hoje.Os combates se estendiam hoje também por Nassíria e Baquba,no sul do país, e Mossul, no norte - onde rebeldes atacaram asede do governo e foram repelidos pela polícia local. Desde oinício da guerra, 646 soldados americanos foram mortos no Iraque 455 dos quais em ações hostis.

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