Milícias atacam forças de segurança nas Filipinas

Milicianos leais a um poderoso clã político do sul das Filipinas entraram em choque com forças de segurança do país asiático depois da imposição de estado de exceção na província de Maguindanao, onde 57 pessoas foram mortas em um massacre político no mês passado. Não há informações iniciais sobre vítimas. O governo afirma buscar a rendição pacífica de 2.400 milicianos a serviço do clã Ampatuan.

AE-AP, Agencia Estado

07 de dezembro de 2009 | 10h33

Os homens armados leais à família Ampatuan - cujos líderes são os principais suspeitos dos assassinatos de novembro - abriram fogo ontem contra a polícia, um dia depois de a presidente Gloria Macapagal Arroyo ter decretado estado de exceção em Maguindanao. De acordo com relatos das forças de segurança, unidades da polícia estavam em patrulha de rotina à procura de armas ilegais quando foram atacadas, provocando um tiroteio que durou cerca de dez minutos.

Segundo o comandante das forças militares em Maguindanao, general Raymundo Ferrer, as tropas procuravam cerca de 2.400 seguidores dos Ampatuan que haviam fugido para as montanhas antes da imposição do estado de exceção. "Esses milicianos estão em esconderijos com suas armas", afirmou Ferrer a uma rádio de Manila. "Eles disseram que vão resistir e há muitos deles."

Exército particular

O clã Ampatuan, que há anos domina a vida política de Maguindanao praticamente sem oposição, é conhecido por dispor de um imenso exército particular. O secretário do Interior, Ronaldo Puno, disse que milicianos, antes a serviço do governo, passaram, nos últimos anos, a ser efetivamente controlados pelo clã dos Ampatuan, que já ajudou Gloria Arroyo contra os rebeldes separatistas muçulmanos na região. "Eles se desligaram da cadeia de comando e das autoridades legais que os supervisionavam", disse Puno.

Membros da família Ampatuan, que governam a província ininterruptamente há uma década, são acusados de orquestrar o massacre de 57 pessoas em 23 de novembro, inclusive integrantes de uma família rival e 30 jornalistas. Arroyo disse que foi forçada a impor estado de exceção depois que as forças dos Ampatuan ameaçaram atacar se os líderes fossem presos.

Milhares de soldados e policiais assumiram o controle da província desde que a entrada em vigor do estado de exceção e diligências realizadas nas propriedades do clã resultaram na apreensão de armamento e munição militares. Até ontem, 62 pessoas haviam sido presas, incluindo o patriarca do clã, Andal Ampatuan Sr., e mais quatro integrantes. O filho dele, Andal Ampatuan Jr., está detido numa prisão em Manila por 25 acusações de assassinato, enquanto outros líderes enfrentam acusações de rebelião. Com informações da Dow Jones.

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