Milícias bloqueiam observadores estrangeiros e agridem jornalistas

População demonstra cortesia, mas grupos paramilitares hostilizam aqueles que não são russos na Crimeia

SIMFEROPOL, UCRÂNIA, O Estado de S.Paulo

08 de março de 2014 | 02h07

Pelo segundo dia consecutivo, homens de origem russa, armados e vestindo trajes militares, bloquearam observadores internacionais enviados à Crimeia pela Organização para a Segurança e a Cooperação na Europa (OSCE). A repressão aos enviados à península também se manifesta cada vez mais em atos de hostilidade contra a imprensa estrangeira.

O novo incidente com os observadores da OSCE ocorreu na cidade de Chongar, uma das portas de entradas da Crimeia. Segundo relatos, eles foram barrados por homens armados que faziam a vigilância em uma barreira na estrada. Retido, o comboio foi obrigado a voltar. "É muito claro que não querem que eu esteja lá", afirmou Dunja Mijatovic, enviada da OSCE à Crimeia.

Diante de protestos internacionais, a chancelaria da Rússia criticou a organização por sua suposta parcialidade. "A despeito de seu mandato, os observadores não disseram uma palavra sobre ambições nacionalistas, neonazistas e não constataram os atos violentos de forças extremistas", afirmou um porta-voz do Kremlin.

Nas principais cidades da Crimeia, o clima é de tensão. À reportagem, ucranianos e russos alegaram que "precisam defender suas famílias" e apoiam a organização de milícias. Um taxista sacou de um coldre uma pistola com a qual decidiu circular em Simferopol. "Está ficando perigoso para qualquer pessoa", justificou D.M., que pediu para não ter seu nome revelado. Ele se diz pronto a aderir a um dos grupos de autodefesa, caso a violência se agrave.

Embora bem tratados pela população, estrangeiros e jornalistas vêm se tornando alvo de hostilidades por parte de grupos paramilitares. Ontem, relatos de ataques a profissionais de mídia se reproduziram em toda a região. À noite, os jornalistas Olga Mekhanik e Andriy Tsaplienko, enviados da rede Inter TV, foram espancados por um grupo de paramilitares cossacos que fazia a segurança de uma das bases ucranianas ocupadas por russos em Sebastopol. / A.N.

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