Milícias mataram pelo menos 11 pessoas em Darfur esta semana

Milícias armadas mataram pelo menos 11 pessoas e deixaram várias feridas em ataques em vilarejos em Darfur, no Sudão nesta semana, segundo contagem das Nações Unidas. O comunicado da ONU emitido nesta quarta-feira informa que o governo sudanês prendeu 23 pessoas incluindo cinco menores de idade, desde segunda-feira em confrontos entre refugiados e a polícia. Os ataques, que violaram o acordo de paz assinado no dia 5 de maio, ocorreram em sete vilarejos nas proximidades da cidade de Kutum no norte de Darfur na segunda-feira segundo a ONU. Pelo menos três pessoas morreram nos confrontos incluindo um manifestante que foi baleado por um policial e um agente da inteligência que foi linchado pela multidão em um campo de refugiados. A ONU não culpou nenhum grupo específico pelos ataques, mas a União Africana (UA) disse que as ações foram realizadas pela Janjaweed, uma milícia árabe supostamente apoiada pelo governo sudanês. Os ataques aconteceram depois que a ONU e a UA pressionaram grupos rebeldes a assinar o acordo de 5 de maio entre Cartum e o principal grupo rebelde de Darfur. Alguns grupos menores rejeitaram o acordo e tem grande apoio em campos de refugiados. Os dois órgãos internacionais também pressionaram o governo sudanês a cumprir seu compromisso com o acordo desarmando a Janjaweed, que é acusada cometer atrocidades nos três anos de conflito que já deixaram mais de 180 mil mortos na região. O governo nega apoiar a Janjaweed, mas várias ONG´S afirmam que o Estado colabora com a milícia árabe. Missão da ONUEm Cartum, o enviado especial da ONU no Sudão, Jan Pronk, disse que haverá consultas com o governo sudanês para implementar a resolução aprovada na terça-feira, que pede a substituição da força de paz da UA por uma missão maior comandada pela ONU. Na única reação do governo à resolução, o chefe das negociações para Darfur, Majzoub Khalifa disse na quarta-feira que a moção não contém nada de novo e que é uma repetição de outras resoluções da UA. O governo sudanês há muito tempo resiste à uma substituição das forças da paz, argumentando que um problema da África deve ser resolvido por africanos. Cartum também não está disposta a permitir que um órgão mundial exerça mais controle sobre Darfur.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.