Milícias somalis roubam doações internacionais

A falta de chuva provocou uma onda de fome na Somália, onde 3,7 milhões de pessoas - ou a metade da população - não têm o que comer, segundo a ONU, e dependem de doações da comunidade internacional. Os violentos conflitos civis, no entanto, impedem a ajuda humanitária de chegar até a população, especialmente nos mais de 300 campos de refugiados, controlados por milícias.

O Estado de S.Paulo

27 de novembro de 2011 | 03h05

Entre os famintos somalis, 2,8 milhões estão no sul do país, sob controle da milícia islâmica Al-Shabab, ligada à Al-Qaeda. Os milicianos chegaram a impedir doações nos campos da região e expulsaram as agências humanitárias internacionais.

Para preencher o vácuo deixado na assistência, o comando da Al-Shabab anunciou à imprensa local, em outubro, o início da campanha filantrópica da organização fundada por Osama bin Laden no campo de refugiados de Al-Yasser. Além de comida, roupas e cópias do Alcorão, a doação inclui uma ambulância e 1,5 mil exemplares do livro The Fortification of the Muslim ("A Fortificação dos muçulmanos"), uma compilação das sunas (ou tradições) do Profeta.

A ligação da Al-Shabab com a Al-Qaeda é conhecida dos EUA, que tem intensificado ações militares pontuais no país. Operações americanas mataram o então líder da Al-Qaeda na África, Fazul Abdullah Mohamed, de Comores, em 2007, e o queniano Saleh Ali Saleh Nabhan, em 2009.

Ambos eram acusados de ligação com os atentados de 1998 contra as embaixadas dos EUA na Tanzânia e no Quênia, que deixaram mais de 200 mortos, e com o ataque a um hotel em Mombasa, também no Quênia, em 2002. Eles estavam escondidos na Somália.

Roubos. Outro problema enfrentado pelos agentes de assistência, segundo denúncia do chefe da missão somali do Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (Ocha, na sigla em inglês), Marcel Stoessel, é o roubo de doações nos centros de distribuição de comida na capital Mogadíscio.

O comércio de alimentos vindos de doações e roubados tornou-se um "negócio lucrativo". Os casos envolvem tanto milicianos quanto agentes de segurança do governo, mal pagos e mal treinados. Há três semanas, o presidente do Governo Federal de Transição da Somália, Sharif Ahmed, admitiu casos de roubo de alimentos por soldados do governo e por milicianos armados pelo Estado, que operam como policiais nos municípios. / A.C.

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