Milionário americano inocentado da morte do vizinho

O milionário nova-iorquino e excêntrico Robert Durst, que afirmou haver matado o esquentado vizinho em defesa própria e esquartejado seu corpo em pânico, foi declarado inocente, hoje, no julgamento por homicídio.Os jurados deliberaram durante cinco dia, depois de seis semanas ouvindo testemunhos, antes de decidir que o herdeiro de uma rica empresa imobiliária de Nova York não matou o vizinho de 71 anos, Morris Black, que vivia no apartamento em frente em um conjunto miserável de Galveston.Durst, de 60 anos, que está sob suspeita de outros dois assassinatos, e que fingiu por algum tempo ser uma mulher muda, testemunhou em sua defesa por quase quatro dias. Ele insistiu em que Black foi morto acidentalmente, quando o revólver disparou enquanto os dois brigavam por sua posse, e contou que usou duas serras e um machado para desmembrar o corpo. A cabeça de Black nunca foi achada.Durst pareceu atônito quando ouviu o veredicto da juíza distrital Susan Criss, de pé, com a boca ligeiramente entreaberta e os olhos cheios de lágrimas. Abraçou os advogados, dizendo ?Muito obrigado?.Depois da morte, em setembro de 2001, Durst tornou-se um fugitivo durante seis meses, até que fosse pego na Pennsylvania, quando tentava surrupiar um sanduíche de US$ 5, mesmo tendo US$ 500 no bolso.A pedido dos advogados de defesa, os jurados consideraram apenas a acusação de assassinato. Eles poderiam ter pedido que eles considerassem uma acusação menos forte, como homicídio culposo, mas optaram por uma estratégia do tudo-ou-nada.Se fosse condenado, Durst poderia ser sentenciado a uma pena entre cinco e 99 anos de prisão e multado em US$ 10.000.Os promotores classificaram Durst de assassino frio e calculista, que matou Balck para roubar sua identidade. Disseram que todas suas ações depois do assassinato, incluindo o esquartejamento e a fuga de Galveston eram parte de um plano elaborado para esconder sua culpa.Mas os advogados de defesa argumentaram que Black foi morto acidentalmente enquanto os dois brigavam pelo revólver depois que Durst encontrou o vizinho em seu apartamento sem permissão. Segundo a defesa, os promotores falharam em mostrar aos jurados qualquer motivo para o crime e algo que provasse que não fora em defesa própria.?O que quer que (Durst) tenha feito depois que Morris Black estava morto não muda como Black morreu?, argumentou o advogado Dick DeGuerin. ?Não se pode condenar Bob Durst simplesmente por causa disto.?O promotor distrital Jurt Sistrunk disse que Durst esquartejou o corpo de Black sem hesitação, limpou meticulosamente a cena do crime, reservou lugar num vôo para sair da área e desfez-se do corpo, embora tenha sido forçado a retornar para esconder a cabeça para impedir que ela pudesse identificar sua vítima.Durst mudou-se para Galveston em novembro de 2000, disfarçado de mulher, para escapar da imprensa, depois que reabriu-se a investigação, de 1982, sobre o desaparecimento de sua primeira mulher, Kathleen. Ele usou o nome de Dorothy Ciner, uma amiga de infância.Depois que ele pagou fiança no caso do assassinato de Black, as autoridades de Galveston souberam que ele era procurado pelo desaparecimento de sua primeira mulher e, pela morte a tiros, no Natal de 2000, em Los Angeles, de uma amiga, a escritora Susan Berman, que deveria ser interrogada sobre a esposa desaparecida.

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