Militante do Fatah é morto em ataque na Faixa de Gaza

Homens armados mataram nesta quarta-feira, 3, na Faixa de Gaza, um membro do Fatah, facção ligada ao presidente palestino, Mahmoud Abbas. No mesmo dia, um carro com oficiais de segurança do Hamas sofreu uma emboscada, alimentando temores de que um conflito generalizado tome conta da região. Pouco depois dos dois incidentes ocorridos na Faixa de Gaza, integrantes do Fatah e do Hamas trocaram tiros no campo de refugiados de Jabalaya. Não há informações sobre feridos nesse incidente. Os dois grupos declararam uma trégua em dezembro para colocar fim a semanas de uma onda de violência que se intensificou a ponto de acontecerem batalhas nas ruas de Gaza, depois de Abbas ter anunciado a antecipação das eleições parlamentares e presidenciais a fim de romper um impasse político com o Hamas. O Hamas vê na manobra de Abbas um golpe contra o seu governo. O Hamas subiu ao poder depois de ter vencido o Fatah, de forma surpreendente, nas últimas eleições parlamentares, em janeiro de 2005. Integrantes do Fatah culparam militantes do Hamas pelo ataque contra o militante da facção. Segundo moradores da área, o homem estava no teto de uma casa em Beit Lahiya com outros integrantes do Fatah quando foi alvejado. Autoridades do Hamas não puderam ser encontradas para se manifestar sobre o caso, mas culparam o Fatah pelos disparos realizados contra um veículo no qual estavam membros de uma força policial liderada pelo Hamas. Dois policiais ficaram feridos, um deles gravemente, disse a força de segurança. O Fatah não se manifestou sobre o caso. Em um outro incidente, um membro de forças de segurança ligadas ao Fatah foi seqüestrado por homens armados no sul da Faixa de Gaza, afirmaram moradores da região. Apesar de ter antecipado as eleições, Abbas deixou a porta aberta para as negociações com o Hamas a respeito da formação de um governo de unidade nacional capaz de convencer as potências ocidentais a retomarem o envio da ajuda, suspenso pela subida do Hamas ao poder. Abbas não fixou uma data para as eleições. Segundo o Hamas, a manobra do presidente palestino seria ilegal. A situação caótica verificada na Faixa de Gaza deteriorou-se nos últimos meses. Colegas palestinos de um fotógrafo peruano seqüestrado nesta semana exigiram a libertação dele, afirmando que o homem de 50 anos poderia morrer se não recebesse os remédios para o coração de que precisava. Sakher Abu El-Awn, diretor da sucursal da agência de notícias France Presse (AFP) na Faixa de Gaza, disse que Jaime Razuri, capturado do lado de fora do prédio da agência, na segunda-feira, em Gaza, tomava vários tipos de remédio, entre os quais alguns para problemas cardíacos. "Acreditamos que a vida dele está em perigo e conclamamos para os seqüestradores o libertarem imediatamente," disse Abu El-Awn à Reuters. O seqüestro de Razuri é o mais recente de uma série cujas vítimas eram funcionários de grupos humanitários e jornalistas estrangeiros na Faixa de Gaza. Todos os reféns foram libertados incólumes, a maior parte deles após um ou dois dias de cativeiro. Ninguém assumiu a responsabilidade pela captura do fotógrafo.

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