Militantes afegãos atacam alunas com veneno

Governo acusa o Taleban pelo 3.º ataque com gás contra estudantes em três semanas

AP, CABUL, O Estadao de S.Paulo

13 de maio de 2009 | 00h00

Autoridades afegãs acusaram o Taleban pelo ataque de ontem com gás venenoso a meninas em uma escola de Muhmud Raqi, ao norte de Cabul. As estudantes, que passaram a ter fortes náuseas e dores de cabeças, aguardavam em fila antes de uma aula sobre o Alcorão quando foram surpreendidas por um estranho odor de gás. Foi o terceiro ataque contra garotas que frequentam escolas em três semanas no Afeganistão. O Taleban e outros grupos fundamentalistas atacam regularmente as estudantes - a educação de mulheres é considerada uma afronta ao Islã, segundo a interpretação ultrarradical. O ensino feminino era vetado no regime do Taleban (1996-2001).Na segunda-feira, 61 alunas foram hospitalizadas também por causa de um gás venenoso em Parwan, nordeste do Afeganistão. Um ataque semelhante ocorreu no fim do mês passado na mesma cidade.Segundo a diretora da escola atacada ontem, vários estudantes desmaiaram por causa do gás. "Vi vários alunos caírem no chão", disse. Ela acrescentou que não sabe o que aconteceu em seguida, pois também acabou desmaiando sob o efeito do veneno. Os alunos e professores atacados - ao todo 98 pessoas - foram levados ao hospital e os demais, mandados para casa. Pelo menos 30 continuam sendo monitorados no hospital, com fortes sintomas."Os inimigos do Afeganistão estão por trás desse envenenamento", disse Abdul Hedayat, secretário de Educação da Província de Kapista, onde fica Muhmud Raqi. "Tenho 100% de certeza de que se trata de um veneno. Subitamente, 98 pessoas ficam doentes - isso não é normal", afirmou. Segundo ele, amostras de sangue foram enviadas para Cabul para serem examinadas.Sonya Sidiqi, aluna da oitava série, disse ter sentido o cheiro de algo parecido com a fumaça de um cigarro. "Em seguida, tive dores de cabeça e comecei a vomitar." No hospital, Sonya afirmou que se sentia melhor, mas ainda estava tonta e tinha ânsias de vômito. "Ficarei com medo quando voltar para a escola. E se eu morrer?", questionava Tahira, de 11 anos.Militantes islâmicos do sul do Afeganistão iniciaram uma ofensiva contra o ensino para meninas, destruindo escolas e até mesmo lançando ácido no rosto de alunas. Mas como os recentes ataques com gás ocorreram no nordeste do país, o governo afegão teme que as ações possam estar se espalhando para outras regiões.

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