Militantes de Mugabe tomam fazenda de brancos no Zimbábue

Pelo menos 60 propriedades foram ocupadas desde sábado, aparentemente sob ordens do governo

08 de abril de 2008 | 17h58

Militantes no Zimbábue, a maioria veteranos de guerra, ocuparam pelo menos 60 fazendas de brancos, aparentemente sob ordens do governo, afirmou um representante dos fazendeiros nesta terça-feira, 8. "Nós somos vítimas de um retrocesso, um ataque ilegal contra as fazendas privadas", disse John Worswick, da Justiça da Agricultura, um grupo de Harare que apóia os direitos dos fazendeiros no Zimbábue, informou a rede CNN.  Veja também:Partido governista apóia Mugabe para disputar 2.º turnoOposição do Zimbábue proclama vitória com 50,3% do votosGoverno e oposição negam acordo para transição no ZimbábueMugabe negocia possível transição com oposição, diz 'NYT'Dúvida é se Mugabe aceitará veredicto Robert Mugabe, ditador do Zimbábue há quase 30 anos As invasões começaram esporadicamente entre sábado e domingo, mas ganharam força nas últimas 24 horas. "Em algumas regiões, a Polícia respondeu, mas no lugar das autoridades ajudarem, eles impediram os fazendeiros de voltarem às terras", afirmou Worswick. "A Polícia guarda as propriedades do retorno dos donos", alega. "Aqueles fazendeiros brancos voltaram aos milhares", disse Bright Matonga, Vice-Ministro da Informação de Zimbábue, indicando que os donos das terras estavam provavelmente "eufóricos" pela vitória do Movimento para Mudança Democrática (MDC) na eleição parlamentar. "Eles tiveram que parar com as atividades", acrescentou. As milícias tomaram a maior parte das 4,6 mil fazenda dos brancos há oito anos durante a controversa reforma agrária do governo Mugabe. Os veteranos são grandes aliados do presidente Robert Mugabe, que luta para permanecer no poder depois de uma disputa acirrada com o líder da oposição, Morgan Tsvangirai. A Comissão Eleitoral ainda não divulgou os resultados da eleição de 29 de março, mas Tsvangirai clamou a vitória e alertou que Mugabe pode usar a violência para voltar ao poder.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.