Militantes do Fatah voltam a bloquear estrada em Gaza

Opositores do governo da Autoridade Nacional Palestina (ANP), liderado pelo movimento islâmico Hamas, voltaram a bloquear nesta terça-feira a estrada de Saladino, que liga o sul ao norte deGaza, no terceiro dia dos protestos que desde domingo deixaram dozemortos e quase 150 feridos.Desde segunda-feira à noite, após a morte de um miliciano doHamas e de outro do Fatah, além de 21 feridos, foi registrado nesta terça oprimeiro incidente em Gaza, mas continuam os distúrbios naCisjordânia, segundo fontes do local.Os militantes do Fatah, mais fortes na Cisjordânia do que os doHamas, atacaram escritórios e instalações do movimentoislâmico, e acusaram o líder Khaled Mashaal de promover a guerracivil a partir da Síria.Os nacionalistas palestinos chamam Mashaal de "agente de Damasco"e o ameaçaram de morte, assim como o ministro do Interior da ANP,Said Siyam, que ordenou que 3.500 milicianos do Hamas reprimissem osmanifestantes que no domingo protestavam porque o governo doprimeiro-ministro Ismail Haniyeh não paga seus salários há meses.Os milicianos do Fatah e das Brigadas dos Mártires de Al-Aqsa,que apóiam o presidente da ANP, Mahmoud Abbas, afastado de Haniyehpor causa de divergências políticas, também ameaçavam de mortechefes da guerrilha do Hamas, entre eles Khaled Mashaal.O ex-ministro da ANP Qadura Fares minimizou a importância dessas ameaças. "Esse não énosso estilo", disse."Dispersar uma manifestação de pessoas que estão expressando seulegítimo protesto com granadas de mão é algo nunca visto no mundotodo", disse o ex-ministro, que emdeclarações à rádio pública israelense responsabilizou osfundamentalistas do Hamas pelos distúrbios."Se esta situação continuar, acabaremos em uma guerra civil, poishaverá manifestações (contra o governo) em todas as partes",acrescentou Fares, que nesta semana se reunirá em Jerusalém com asecretária de Estado americana, Condoleezza Rice.O Hamas responsabilizou Abbas pela grave crise econômica queafeta cerca de 4 milhões de palestinos em Gaza e na Cisjordâniapois, na opinião do grupo, o presidente da ANP "é cúmplice" doboicote financeiro e político imposto pela comunidade internacionala Haniyeh, que assumiu o poder em março passado.O porta-voz do Governo, Ghazi Hamed, disse hoje à rádioisraelense que o governo "pagou mais de 66% dos salários" aos165.000 funcionários públicos da ANP, e que "é mentira que nãorecebem há seis meses".A relativa calma desta terça em Gaza coincidia com inflamadasdeclarações de personalidades do Fatah, na oposição, como o deputadoFares, que também condenou o Hamas por impedir a formação de umgoverno de unidade "para falar com o mundo".

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