Militantes do Hamas protestam contra Abbas em Gaza

Palestinos queimaram imagens do presidente da ANP em frente ao Parlamento

Agencia Estado

21 Junho 2007 | 13h08

Milhares de militantes do Hamas se reuniram nesta quarta-feira, em frente à sede do Parlamento em Gaza para protestar contra o presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas, também líder do Fatah. Alguns dos manifestantes que participaram do protesto queimaram bandeiras dos Estados Unidos e de Israel. A manifestação, ocorrida após as orações da noite nas mesquitas, foi convocada pelo Hamas depois que, em um discurso mais cedo, Abbas chamou os membros do movimento islâmico de "traidores". Antes do protesto na Cidade de Gaza, retratos de Abbas e da secretária de Estado americana, Condoleezza Rice, foram queimados no campo de refugiados de Jabaila, no norte da região.Segundo Abbas, o Hamas busca estabelecer seu próprio país em Gaza, o que jogaria por terra as esperanças palestinas de formar um Estado independente, soberano e viável em todos os territórios palestinos.O presidente afirmou ainda que apesar dos distúrbios, as negociações de paz com Israel devem ser retomadas. "A atmosfera não impede o início de negociações", alegou.DiscursoEm um incomum discurso repleto de palavras duras, Abbas denunciou ainda que o Hamas teria "substituído o projeto nacional por seu próprio projeto obscurantista", atacando símbolos do governo em Gaza, inclusive a residência do falecido líder palestino Yasser Arafat."Não há diálogo com esses terroristas assassinos", esbravejou. A seguir, o presidente palestino acusou o grupo islâmico de tentativa de golpe.Abbas alegou ter tentado evitar o conflito por meio de um "diálogo contínuo". "Em vez disso, estamos vendo o assassinato de líderes dos serviços de segurança e do Fatah em Gaza", acusou.De acordo com Abbas, o conflito continua. "É uma luta entre um projeto nacional e esse pequeno reino que eles querem estabelecer em Gaza, entre aqueles que matam para atingir seus objetivos e aqueles que obedecem ao império da lei", prosseguiu.Trata-se do mais duro discurso de Abbas desde que ele tomou a decisão de dissolver o governo de unidade nacional partilhado entre o Hamas e o Fatah e de empossar um novo governo que abrange somente a Cisjordânia.

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