Militantes incendeiam mais 50 caminhões da Otan no Paquistão

Depósito com suprimentos para tropas no Afeganistão são queimados; no domingo, 160 foram destruídos

Agências internacionais,

08 de dezembro de 2008 | 08h19

Dezenas de veículos militares foram incendiados nesta segunda-feira, 8, por militantes que atacaram no Paquistão um terminal de caminhões que transportam suprimentos para as forças da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) e dos EUA no Afeganistão. Pelo menos 50 caminhões teriam sido queimados no segundo ataque em dois dias em Peshawar, cidade em que se encontra uma rota usada para levar material para a missão internacional no Afeganistão. A ação mostrou a mobilidade dos insurgentes que controlam do Paquistão várias áreas de regiões na fronteira com o Afeganistão. Um funcionário do terminal, Altaf Hussain, afirmou que vários militantes atacaram o local lançando granadas, atingindo cerca de 50 veículos. Esse e outros terminais da cidade são guardados por vigilantes com pequenas armas e estão preparados para evitar roubos, mas não ataques de insurgentes organizados. Cerca de 75% dos suprimentos de combustível, alimento e produtos de logística para as forças ocidentais enfrentarem a insurgência no Afeganistão passam pelo Paquistão. Oficiais da Otan afirmaram que os ataques não afetam suas operações, mas que buscarão outras rotas para o envio de materiais. No domingo, militantes incendiaram ontem 160 veículos, incluindo dezenas de modelos Humvees, destinados às forças militares americanas e da Otan, num dos ataques mais ousados na rota de abastecimento militar no Paquistão. Um guarda do terminal foi morto no ataque e o fogo se espalhou entre os veículos que estavam estacionados.  Uma série de ataques recentes a caminhões entre Peshawar e a fronteira com o Afeganistão chamaram atenção para a vulnerabilidade daquela rota. Na semana passada, insurgentes atacaram outro terminal perto de Peshawar e queimaram 12 caminhões com suprimentos para a OTAN, incluindo vários Humvees. Dois policiais foram assassinados. A escalada da violência e a instabilidade no nordeste do Paquistão coincide com sérias tensões entre o país e a vizinha Índia, após os ataques terroristas do mês passado, em Mumbai. Nova Délhi atribui aqueles ataques, que mataram 171 pessoas, a um grupo militante islâmico que luta contra as leis indianas na região da Caxemira, elevando a tensão entre os dois países, o que pode afastar o Paquistão de seu papel como aliado dos EUA no combate ao terrorismo.

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