Yehuda Ben/AFP
Yehuda Ben/AFP

Militantes se infiltram em Israel pelo Egito e matam 8 em onda de ataques

Atiradores cruzam divisa na Península do Sinai e abrem fogo contra ônibus e carros civis, no mais violento ataque ao território israelense em 3 anos; Tel-Aviv acusa facção radical palestina e retalia com bombardeio a Gaza, deixando 6 mortos

, O Estado de S.Paulo

19 de agosto de 2011 | 00h00

EILAT, ISRAEL

Israel sofreu ontem o mais violento ataque ao seu território em três anos. Militantes entraram pela fronteira egípcia, cerca de 20 quilômetros ao norte do balneário de Eilat, e dispararam com fuzis e foguetes contra um ônibus e dois carros de passeio. Atiradores e soldados ainda trocaram tiros na fronteira. Ao todo, 8 israelense morreram, além de 7 supostos militantes - 20 civis ficaram feridos.

Em outro incidente, à noite, autoridades do Cairo informaram que três guardas de fronteira foram assassinados. Segundo a agência egípcia de notícias Mena, os militares foram mortos em um ataque aéreo israelense.

A sequência de ataques e o tiroteio entre militantes e soldados de Israel durou mais de oito horas. Em resposta, caças israelenses bombardearam Rafah, no sul da Faixa de Gaza, deixando pelo menos seis palestinos mortos.

"Se alguém pensa que nos limitaremos a isso, está enganado", ameaçou o primeiro-ministro israelense, Binyamin Netanyahu, em discurso na TV. Israel disse que entre 15 e 20 militantes invadiram seu território. O objetivo seria sequestrar um militar ou mesmo um civil.

Segundo israelenses, entre os mortos em Gaza está um integrante do alto escalão do grupo que seria responsável pelos atentados - uma facção conhecida como "Comitê de Resistência Popular", próxima do Hamas. Fontes palestinas dizem que uma criança também morreu.

De madrugada, quatro novos ataques aéreos israelense contra Gaza matou um rapaz de 13 anos e feriu outras 15 pessoas, segundo fontes palestinas.

O Hamas negou envolvimento no ataque a Israel. À noite, um foguete foi disparado de Gaza contra a cidade de Ashkelon, mas acabou interceptado.

O ministro da Defesa de Israel, Ehud Barak, disse que os militantes passaram de Gaza para o Egito e, em seguida, entraram em Israel. Como eles conseguiram cruzar uma das fronteiras mais vigiadas do mundo, porém, ainda não está claro.

Segundo o Jerusalem Post, os ataques começaram às 12 horas, quando três militantes fortemente armados entraram em Israel pela fronteira com o Egito. Na estrada, eles se afastaram uns do outros e começaram a disparar contra veículos.

Primeiro, abriram fogo contra um ônibus lotado, ferindo levemente apenas dez passageiros pois o motorista continuou dirigindo. Momentos depois, um dos atiradores abriu fogo contra um ônibus vazio.

Quando o veículo parou, ele detonou um cinturão de explosivos, matando o motorista. Em seguida, outro militante abriu fogo contra um carro, matando a mulher que dirigia. O mesmo homem, logo depois, lançou um foguete contra um helicóptero israelense, mas errou o alvo.

Um dos dois militantes disparou ainda contra um carro, matando quatro pessoas. Um jipe do Exército de Israel atropelou e matou o atirador. Outro jipe que foi atingido por uma bomba deixada na beira da estrada.

Segundo a imprensa israelense, membros da Unidade Antiterrorismo de Israel chegaram ao local e executaram o segundo terrorista. Em seguida, tiros foram disparados do Egito. Os soldados israelenses responderam. Um deles cruzou por vários metros a fronteira egípcia e matou outros dois militantes. Segundo informação do Cairo, soldados do país mataram mais dois militantes no Sinai. O serviço de inteligência de Israel tinha pistas sobre o ataque. Por isso, havia vários seguranças no local. / AP

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.