Militar indicado para a chefia da CIA defende programa de escuta

Em sabatina realizada no Senado americano nesta quinta-feira, o militar nomeado pelo governo para dirigir a Agência Central de Inteligência (CIA), brigadeiro Michael V. Hayden, insistiu veementemente que os programas de monitoramento telefônico da administração Bush são legais e desenvolvidos exclusivamente para combater o terrorismo - e não vigiar a vida de pessoas comuns."É óbvio que a privacidade dos cidadãos americanos é uma preocupação constante", disse o brigadeiro quatro estrelas perante o Comitê de Inteligência do Senado. "Nós sempre contrabalançamos privacidade e segurança."Como era esperado, Hayden respondeu um maior número de perguntas sobre a Agência Nacional de Segurança (NSA, na sigla em inglês) - a agência supersecreta que ele comandou entre 1999 e 2005 - do que sobre seus planos para a CIA. Na semana passada, o jornal USA Today revelou a existência de um programa da NSA que quebrou o sigilo telefônico de uma parcela significativa da população civil americana.Os senadores "fritaram" Hayden tanto nessa questão quanto em relação a um programa de escuta telefônica que previa a intercepção de e-mails e ligações internacionais, sem autorização judicial, realizadas por suspeitos de terrorismo.Hayden afirmou, em resposta, que o presidente George W. Bush determinou um acirramento na vigilância antiterrorismo realizada pela NSA após os ataques de 11 de Setembro.O brigadeiro admitiu ter apoiado o programa de escuta por considerá-lo legal e necessário, mas negou-se comentar abertamente as acusações de que a NSA coletou secretamente informações sobre os padrões das ligações realizadas por milhões de cidadãos americanos.Questionado pelo senador democrata Carl Levin, Hayden disse que só falaria sobre a parte do programa confirmada pelo presidente - mais especificamente, a realização de escutas telefônicas contra suspeitos de terrorismo sem autorização judicial."Esse é o programa todo?", perguntou Levin. "Eu não tenho a liberdade para falar sobre isso em uma sessão aberta", Hayden respondeu. Uma sessão a portas fechadas foi marcada para a tarde desta quinta-feira.Alguns críticos têm sugerido que Hayden, um militar da ativa, é próximo demais do Pentágono para dirigir a CIA com objetividade.Perguntado se abandonaria a carreira militar para assumir a CIA, Hayden, vestido em seu unifore de brigadeiro, respondeu: "O fato de eu ter que decidir que gravata usar de manhã não mudará quem eu sou".O militar também falou do trabalho da inteligência americana em relação ao Irã. Segundo ele, o levantamento de informações sobre o programa de armas nucleares do país islâmico é mais complexo e detalhado do que o feito no Iraque. Hayden também recusou-se responder uma série de questões levantadas pela senadora Dianne Feinstein, advertindo que falaria sobre elas na seção a portas fechadas.Dentre as perguntas, Feinstein quis saber se ele considerava o afogamento de prisioneiros uma forma aceitável de interrogatório. Hayden também se recusou dizer publicamente por quanto tempo considerava possível os Estados Unidos manterem suspeitos de terror presos sem julgamento.

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