Militar israelense é indiciado por espionagem

Um tenente-coronel do Exército israelense foi indiciado hoje, acusado de ter espionado para a guerrilha libanesa Hezbollah, em troca de drogas e dinheiro. O oficial, Omar el-Heib, e dez supostos cúmplices, todos cidadãos árabes de Israel, foram detidos em setembro, mas a Justiça israelense manteve sigilo sobre o caso. El-Heib é um beduíno do vilarejo de Beit Zarzir, no norte de Israel.Ele foi acusado por um tribunal militar fechado, no Ministério da Defesa de Tel Aviv. Detalhes da audiência não foram revelados.O chefe de pessoal do Exército, tenente-general Moshe Yaalon, afirmou que o caso não deveria se refletir na comunidade beduína em geral, e em seus fortes laços com as Forças Armadas de Israel."Ao longo dos anos", afirmou a declaração, "a comunidade pagou um alto preço com as vidas de seus filhos que caíram enquanto cumpriam o dever". A maior parte dos árabes israelenses, que são cerca de um sexto da população do país, não presta serviço militar. No entanto, muitos homens beduínos se apresentam voluntariamente ao Exército.Quatro dos supostos cúmplices foram indiciados hoje no tribunal distrital de Nazaré. O indiciamento aponta os nomes de Jamal Rahal, Amar Rahal, Jazal Rahal e Mohammed Rahal, todos membros do mesmo clã beduíno. O Ministério da Justiça disse que três dos quatro haviam prestado serviço militar, mas não especificou quais.Os acusados entraram na sala do tribunal algemados e com as camisas esticadas até a cabeça, para esconder os rostos dos fotógrafos. Entre as acusações que pesam contra eles está a de colaborar com o inimigo em tempo de guerra, fazer contatos com um agente estrangeiro, espionagem e tráfico de drogas.O documento de acusação afirma que entre dezembro de 2001 e setembro de 2002 eles forneceram, ou tentaram fornecer, para o Hezbollah, informações sobre os aviões que faziam vôos de observação, câmeras de controle e envio de tropas. Eles também são acusados de passar telefones celulares israelenses pela fronteira, a fim de estabelecer contatos. Em troca, segundo a promotoria, os homens receberam 23 quilos de haxixe e milhares de dólares, em dinheiro.

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