Militar israelense evita ataque contra palestinos e é punido

Temendo que um ataque aéreo matasse palestinos inocentes, um militar de alta patente do serviço secreto de Israel obstruiu a missão, escondendo informações consideradas cruciais para a realização da operação, informou hoje o jornal Maariv.A desobediência do oficial, ocorrida no início deste mês, foia mais recente de uma série de decisões semelhantes tomadas pormilitares israelenses contrários às duras medidas adotadas peloprimeiro-ministro de Israel, Ariel Sharon, para combater aintifada (levante) palestina, que completou dois anos emsetembro último.A autoridade, um tenente de uma unidade de elite do serviço secreto, atrasou o envio de informações que seriam usadas em umataque aéreo contra uma cidade palestina, cujo nome não foidivulgado pelo Maariv.O ataque foi planejado pouco depois dos dois atentadossuicidas que mataram 22 pessoas no dia 6 de janeiro em Tel-Aviv.O duplo atentado, ocorrido próximo da antiga estação rodoviária,num bairro habitado basicamente por imigrantes, foi reivindicadopor três movimentos extremistas islâmicos.O tenente israelense, que não teve sua identidade revelada,afirmou a uma corte judicial formada por militares que "seguiusua consciência" e argumentou que "pessoas inocentes seriammortas".Na opinião dele, as ordens recebidas "eram ilegais" perantetratados internacionais. O Maariv também não citou que tipo de informação o tenente havia omitido.A Justiça Militar israelense não aceitou os argumentos dotenente e o considerou culpado, transferindo-o para uma unidademenos prestigiada. Procurado pelo diário, o Exército se limitou a confirmar a veracidade do caso, mas não quis fornecer detalhes.As Forças de Defesa de Israel se recusam a concordar comatitudes como a do militar, justificando que a segurança deIsrael seria prejudicada se seus soldados começassem a escolherquais ordens seguir.Em dezembro, a Suprema Corte decidiu que não poderia concordar com "objeções de consciência" feitas por oito reservistas que se recusaram a servir na Cisjordânia e em Gaza. Todos foram punidos.

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