Militar opositor de Saddam diz que invasão dos EUA seria o caos

Um ex-general do Exército do Iraque disse estar disposto a liderar um golpe militar contra o presidente Saddam Hussein, mas advertiu que uma intervenção norte-americana produzirá efeitos "sombrios". O general Nizar al-Khazraji, que lutou no Exército iraquiano durante a guerra Irã-Iraque (1980-1988), e desertou em 1995, afirmou que deseja derrubar Saddam e estabelecer um governo civil. "Todos os autênticos iraquianos desejam derrubar esse regime e eu sou um deles", disse al-Khazraji à rádio BBC em entrevista concedida na Dinamarca. "Estou disposto a sacrificar tudo pelo meu país".Mas al-Khazraji argumentou que a mudança de governo deve ser promovida pelo Exército iraquiano, e que uma intervenção dos EUA poderia provocar o caos ao Iraque. "A maioria do povo iraquiano e as Forças Armadas temem que o futuro seja pior, que haverá alguns conflitos muito difíceis entre o povo porque talvez o mundo exterior irá intervir nos assuntos internos", disse. Para ele, o povo só aceitará um governo democrático se Saddam for derrubado.Perguntado se uma eventual ocupação do Iraque por tropas norte-americanas seria perigosa, ele respondeu: "Seria um futuro muito sombrio para todos". Al-Khazraji, o oficial de mais alta patente a escapar do governo de Saddam e que garante ainda ter laços com militares iraquianos, afirmou que o Ocidente tem outro papel a desempenhar. "A ajuda moral e diplomática é mais efetiva do que a militar", disse. "Estou certo de que as Forças Armadas e o povo dentro do Iraque acreditam que o Ocidente irá ajudar o Iraque a se livrar das sanções, prometendo ajudar os iraquianos no futuro a manter o país independente - isso nos encorajaria".Al-Khazraji acusou o regime de Saddam pelo fato de ele estar sendo investigado por autoridades holandesas por supostos crimes de guerra. Al-Khazraji foi o comandante do Estado Maior das Forças Armadas durante os ataques com gás venenoso contra os curdos em 1988, e pelo menos um grupo curdo afirma que o general foi o responsável pelo crime. "Essas coisas são aconselhadas pelo próprio regime e, infelizmente, por aqueles que cooperam com o regime", defendeu-se.

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