(U.S. Attorney's Office for the District of Maryland via The New York Times
(U.S. Attorney's Office for the District of Maryland via The New York Times

Militar planejava ataque terrorista em massa nos Estados Unidos

Segundo promotores federais, Christopher Paul Hasson seria um supremacista branco e pretendia matar políticos e jornalistas

Washington Post, O Estado de S.Paulo

20 de fevereiro de 2019 | 22h12

MARYLAND, EUA - Um tenente da Guarda Costeira dos Estados Unidos e autoproclamado “nacionalista branco”, foi preso por planejar um atentado de grandes proporções contra políticos liberais e jornalistas. Investigadores federais descobriram um esconderijo de armas e munição na casa de Christopher Paul Hasson, no Estado de Maryland.

Segundo o inquérito apresentado pelos promotores ao Tribunal Distrital de Maryland, revelados nesta quarta-feira, 20, pelo jornal Washington Post, Hasson queria organizar um ataque violento para “estabelecer uma pátria branca nos EUA”. Ele também afirmou que sonhava com “maneiras de matar quase todas as pessoas na Terra”.

Apesar de os documentos não detalharem uma data específica do ataque, os promotores disseram que ele estava acumulando suprimentos e armas, desde 2017, e desenvolveu uma planilha de alvos que incluía a presidente da Câmara, a democrata Nancy Pelosi, entre outros congressistas da ala mais progressista do Partido Democrata.

Os investigadores afirmam que, nos últimos meses, Hasson fez várias pesquisas na internet usando frases como “O melhor lugar na capital para ver pessoas do Congresso” e “Como os tribunais da Suprema Corte são protegidos”.

“O réu pretendia e planejava assassinar civis inocentes em uma escala raramente vista neste país”, afirmam os agentes federais no indiciamento apresentado à Justiça, argumentando que Hasson deveria permanecer na prisão enquanto aguarda julgamento.

Hasson trabalha na sede da Guarda Costeira dos EUA em Washington desde 2016, de acordo com os documentos judiciais apresentados pelos promotores. Ele também serviu no Corpo de Fuzileiros Navais dos EUA, entre 1988 e 1993, e na Guarda Nacional do Exército por cerca de dois ano,s em meados da década de 90.

O indiciamento dos agentes federais não detalha o que levou as autoridades a investigarem Hasson, mas argumenta que ele estudava o manifesto de 1.500 páginas do terrorista de direita Anders Behring Breivik, que matou 77 pessoas na Noruega, em 2011. O manifesto esmiúça como Breivik planejou e preparou seus ataques com o objetivo de fornecer um roteiro para outros que planejam operações terroristas semelhantes, dizem os documentos judiciais.

Na operação que levou à prisão de Hasson, na sexta-feira, autoridades apreenderam 15 armas de fogo, incluindo várias metralhadoras e rifles, e mais de 1.000 cartuchos de munição, no porão da pequena casa em que ele morava, em Silver Spring, nos subúrbios de Washington, a 12 quilômetros do Capitólio. 

Segundo os procuradores, nos últimos dois anos, ele fez 24 compras de armas de fogo ou equipamentos relacionados e fez milhares de visitas a sites de venda de armas ou equipamentos táticos.

Autoridades disseram que Hasson alimenta visões extremistas há anos. “O réu é um terrorista doméstico, inclinado a cometer atos perigosos à vida humana com o objetivo de afetar a conduta governamental”, afirmam os promotores no inquérito.

Segundo as autoridades, em um e-mail que ele escreveu, em junho de 2017, Hasson teria elaborado uma série de ataques biológicos que pretendiam atingir o fornecimento de alimentos. Ele também teria planejado com detalhes uma “campanha de ataque contra “alvos prioritários”. Hasson também incluiu uma lista de “coisas para fazer”: comprar terras “no Oeste dos EUA ou no Meio-Oeste”. Ele também teria pesquisado táticas usadas durante o conflito civil na Ucrânia, em 2014./ W.POST

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