Militares acusam nobel da paz de liderar protesto de monges

Pelo menos cinco pessoas, incluindo sacerdotes, foram mortos em mais um dia de manifestações no país

Agências internacionais,

26 de setembro de 2007 | 10h38

A junta militar que governa Mianmá acusou nesta quarta-feira, 26, a vencedora do prêmio Nobel da Paz e líder do partido Liga Nacional para a Democracia (LND), Aung San Suu Kyi, de incitar os protestos que sacodem o país asiático há nove dias. Apesar do toque de recolher decretado na terça-feira, 25, pelos militares, manifestantes voltaram às ruas nesta quarta, levando a uma reação violenta das forças de segurança. Veja também:Assista a vídeo com imagens dos protestos Entenda a crise e o protesto dos monges Dissidentes driblam censura de Mianmá China e Índia têm a chave do futuro do paísBirmaneses saem às ruas; cinco morremChina e Índia têm a chave do futuro do paísEUA e UE repudiam violência contra protestos Testemunhas no país informam que pelo menos três pessoas morreram, mas de acordo com jornalistas birmaneses exilados na Tailândia, podem ser cinco os mortos, incluindo monges budistas. Segundo os diferentes relatos, entre 17 e 100 pessoas podem ter ficado feridas na investida policial. As manchetes do jornal oficial, a Nova Luz de Mianmá, acusam membros da LND, sob ordens de Suu Kyi, de incitar os monges a se manifestarem contra o governo, apesar das ordens da hierarquia budista (Sangha) para que se recolham nos mosteiros e da imposição do toque de recolher.Não é a primeira vez que a Junta Militar se utiliza do jornal e de outros meios de comunicação para abalar a reputação de Suu Kyi e de seu partido, após a Nobel derrotar arrasadora do governo nas últimas eleições parlamentares realizadas, em 1990.Na terça, a junta militar de Mianmá anunciou um toque de recolher das 21h às 5h locais, a proibição de reuniões de mais de cinco pessoas e colocou as forças de segurança nas ruas das maiores cidades do país, Rangum e Mandalay, para tentar acabar com os maiores protestos em quase 20 anos.O toque de recolher e a proibição de reuniões foram anunciados por meio de alto-falantes em veículos que circularam tarde da noite de ontem pelas ruas das duas cidades.Mesmo assim, cerca de 10.000 pessoas, segundo estimativas de observadores, desafiaram a proibição e saíram às ruas de Rangum, a maior cidade de Mianmá. As manifestantes de segunda e terça-feira reuniram dezenas de milhares de pessoas.Ao todo, cerca de 300 monges e ativistas foram detidos em Rangum por desobediência às ordens do governo para que não protestassem, segundo um grupo dissidente no exílio.  Trata-se do primeiro caso de detenção em massa desde o início dos protestos contra a junta militar de Mianmá, há cerca de um mês.Jornalistas disseram ter visto muitos monges em trajes avermelhados sendo colocados em caminhões e levados pelas forças de segurança.Enquanto transcorria a manifestação, foi divulgada a notícia de que Suu Kyi, submetida a prisão domiciliar desde 2003, tinha sido transferida para o presídio de segurança máxima de Insein, nos arredores de Rangun. ProtestosOs monges, que assumiram nos últimos dias a liderança dos protestos contra a junta, exigem que o governo peça desculpas por ter maltratado monges em uma manifestação ocorrida recentemente no norte do país.Nas semanas que antecederam a adesão dos monges, a população local vinha protestando em menor escala por causa do aumento do preço dos combustíveis em um dos países mais pobres de Ásia.O governo de Mianmá vinha sendo cauteloso ao lidar com a atual onda de protestos, aparentemente por considerar que atitudes vistas como abusivas ou desrespeitosas com relação aos monges provocarão revolta entre cidadãos comuns numa sociedade predominantemente budista e devota.

Tudo o que sabemos sobre:
Mianmáprotestomonges

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.