Militares amotinados tomam o poder em Mali

Grupo diz estar insatisfeito com a ação do governo na guerra contra os rebeldes tuaregues no norte do país

DACAR, O Estado de S.Paulo

23 Março 2012 | 03h02

Um grupo de oficiais do Estado africano de Mali, descontente com a condução pelo governo de uma guerra de guerrilhas no norte do país, tomou o controle da estação de TV estatal e do palácio presidencial do país.

Numa transmissão de televisão na manhã de ontem, um porta-voz do grupo disse que as instituições de Mali foram "dissolvidas" e sua Constituição, suspensa. O porta-voz, identificado como tenente Amadou Konare, denunciou o que chamou de "incompetência" do governo. Tiros foram ouvidos na capital, Bamako, e, segundo os noticiários, vários ministros foram presos.

Mali não sofre um golpe desde 1991 e seu governo é considerado um dos mais democráticos em uma região marcada por instabilidade e golpes militares. A ação foi ainda mais inesperada porque as eleições presidenciais estão previstas para abril e o presidente Amadou Toumani Touré, um ex-general, já tinha anunciado que respeitaria a Constituição e não buscaria um novo mandato.

Mas a insatisfação com as tentativas até agora malsucedidas de Mali para conter uma rebelião de tribos nômades no norte desértico do país vem fermentando há meses nas camadas inferiores das Forças Armadas.

Os membros das tribos, tuaregues equipados com armas dos antigos arsenais do coronel Muamar Kadafi da Líbia, alcançaram vitórias surpreendentes sobre o Exército malinês, tomando várias cidades na fronteira com a Argélia, matando soldados e forçando o abandono de quartéis em sua campanha pela independência. Os protestos se multiplicaram, com oficiais se queixando da falta de armamento apropriado e de liderança de fato para conter a rebelião.

Na manhã de quarta-feira, quando o ministro da Defesa tentava acalmar os soldados em um quartel, soaram tiros e o golpe começou. Mais tarde, soldados tomaram a estação de TV nacional e seguiram-se trocas de tiros entre oficiais amotinados e guardas do presidente Touré.

Na manhã de ontem, o porta-voz dos soldados anunciou que um novo grupo, o Conselho Nacional para a Recuperação da Democracia e a Restauração do Estado havia tomado o poder. Os amotinados disseram que o presidente estava "bem de saúde", mas não revelaram seu paradeiro.

O porta-voz prometeu uma "restauração da ordem democrática" e denunciou a "incapacidade do regime para lidar com a crise" no norte do país, e sua "ineficiência no combate aos terroristas".

Brasileiros. Em um comunicado, o governo brasileiro disse que acompanha com preocupação a situação em Mali, onde vivem 30 brasileiros. O missionário que se identificou apenas como Edson, disse por e-mail ao Estado que de sua casa podia ouvir muitos tiros e militares estavam confiscando carros de civis. Ele acrescentou que o aeroporto tinha sido fechado e os voos, cancelados. "Há rumores de que amanhã (hoje) será pior", declarou. / NYT

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