Militares anunciam apoio 'incondicional' a Chávez

As autoridades militares da Venezuela anunciaram hoje que estarão alertas e ofereceram "apoio incondicional" ao presidente Hugo Chávez, após o rompimento das relações diplomáticas com a Colômbia. Os militares venezuelanos disseram que darão uma "resposta contundente" se houver uma incursão militar estrangeira contra o território do país.

AE-AP, Agência Estado

23 de julho de 2010 | 13h36

O ministro da Defesa, o general em chefe Carlos Mata Figueroa, acompanhado pelo comando militar, anunciou que as Forças Armadas "mantêm sua prontidão operacional" e estão "dispostas a qualquer momento para obedecer" as tarefas que forem ordenadas por Chávez. O discurso foi transmitido pela emissora estatal de televisão.

"Responsabilizamos a oligarquia colombiana e seu atual governo, se essas nações irmãs tingirem de sangue sua história", afirmou. Ele acusou o governo do presidente da Colômbia, Alvaro Uribe, de praticar "agressões constantes" contra a Venezuela, ao assinar convênios militares com forças estrangeiras que estão "velados por objetivos sinistros".

Mata Figueroa negou as acusações feitas ontem pela Colômbia na Organização dos Estados Americanos (OEA), de que 1,5 mil guerrilheiros colombianos se refugiaram na Venezuela. Ele afirmou que as autoridades venezuelanas têm feito "enormes esforços" para combater o contrabando, o narcotráfico, o sequestro e a extorsão, os quais "derivaram da guerra civil que vive a Colômbia", afirma.

Prazo

A chancelaria venezuelana fixou um prazo de 72 horas para que os diplomatas colombianos "fechem a sua embaixada e se retirem do nosso país". A ruptura total das relações entre Colômbia e Venezuela é algo sem precedentes em quase dois séculos de relações. Em ambos os lados da extensa fronteira de 2.200 quilômetros, a medida pareceu não provocar surpresa.

Bogotá e Caracas, que têm relações formais desde 1831, já levam pelo menos dois anos de uma relação muito tensa, precisamente por temas como a suposta presença de guerrilheiros colombianos na Venezuela.

O único comentário feito hoje pelo governo colombiano sobre a crise partiu do porta-voz presidencial, César Mauricio Velásquez, que disse que "da parte da Colômbia, jamais haverá um movimento de tropas". "Sempre haverá fraternidade" com a Venezuela, afirmou.

Uribe passa o poder para o presidente eleito da Colômbia, Juan Manuel Santos, no dia 7 de agosto. "Acredito que a melhor contribuição que podemos fazer é não nos pronunciarmos", avaliou.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.