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Militares bloqueiam transmissão via satélite de dois canais de televisão em Mianmar

Oficiais estão tentando evitar reportagens sobre a repressão às forças de segurança, a perseguição a jornalistas e fotógrafos e o fechamento de veículos independentes no país

Redação, O Estado de S.Paulo

09 de abril de 2021 | 03h57

YANGON - Dois canais privados que noticiam as manifestações contra o golpe em Mianmar foram bloqueados, anunciou a operadora de televisão por satélite PSI nesta sexta-feira, 9. Nas áreas mais remotas do país, o acesso a esse serviço é essencial devido à ausência de conexões por cabo, internet wi-fi ou outro meio para acompanhar as notícias.

Os canais Mizzima e DVB, que continuaram operando apesar de a licença ter sido revogada pela junta militar semanas após o levante de 1º de fevereiro, deixaram de estar disponíveis via satélite desde a noite passada "por razões de segurança", disse o provedor em mensagem no Facebook. Ambos os canais, críticos das forças de segurança, continuam suas transmissões na internet.

Como parte das tentativas de cortar o fluxo de informações, os militares começaram a confiscar televisores via satélite e antenas em algumas cidades do Estado de Mon, no leste do país e perto da fronteira com a Tailândia, informou o Mizzima no Twitter. A junta militar também impôs às teleoperadores um bloqueio do Facebook, a rede social mais utilizada em Mianmar, e outras plataformas da mesma empresa.

Os oficiais estão tentando evitar reportagens sobre a repressão às forças de segurança, a perseguição a jornalistas e fotógrafos, bem como o fechamento de todos os veículos independentes do país.

No início de abril, as autoridades suspenderam indefinidamente o serviço wi-fi oferecido pelos provedores de internet em alguns locais públicos, somando-se ao corte noturno da rede por 54 noites e ao sinal do celular por 26 dias.

A mídia impressa desapareceu desde o golpe, com exceção das controladas pelos militares, e cerca de 30 jornalistas foram presos, o último deles na quinta-feira,8.

Apesar da repressão, que já custou a vida de pelo menos 620 pessoas - segundo dados da Associação de Assistência a Presos Políticos (AAPP) -, milhares de pessoas continuam desafiando diariamente a junta militar.

As autoridades também mantêm 2.857 pessoas detidas, incluindo a chefe de governo deposta, Aung San Suu Kyi, além de terem emitido mandados de prisão para outras 500, apontou a AAPP em sua última atualização.

Os oficiais justificam o golpe por uma suposta fraude eleitoral nas eleições de novembro passado, a qual o partido de Suu Kyi venceu. O processo eleitoral foi considerado legítimo pelas autoridades internacionais./ EFE

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