Militares britânicos foram libertados, confirma Blair

O primeiro-ministro do Reino Unido, Tony Blair, confirmou nesta quarta-feira, 4, a libertação dos 15 militares britânicos capturados por forças iranianas em águas do Golfo Pérsico, no último dia 23. Em sua primeira declaração após o anúncio de que os marinheiros e fuzileiros navais seriam soltos, Blair afirmou que seu país não guarda nenhum ressentimento em relação ao povo iraniano."Estou feliz que nossos 15 militares foram soltos e sei que sua libertação traz alívio não só a eles como às famílias", disse Blair. "Tivemos uma abordagem apropriada (para a crise), firme, mas calma. Sem negociar, mas sem confrontar também."Blair disse diretamente ao povo iraniano que respeita e admira a população e a história do país, e que "os desentendimentos que temos com seu governo, esperamos resolver pacificamente através de diálogo".A ministra de assuntos exteriores, Margaret Beckett, cujo departamento se focou em discussões com autoridades iranianas desde que os militares foram capturados no dia 23 de março, estava ao lado de Blair, mas não se pronunciou. Em declaração escrita, o secretário da Defesa, Des Browne, disse que a equipe agiu com dignidade durante o período de cativeiro. "É vital que os possamos trazer de volta rapidamente e a salvo, para que possam se reunir com seus familiares. Essa é nossa prioridade agora", disse. Segundo um diplomata iraniano que falou sob condição de anonimato, os militares seriam entregues aos diplomatas britânicos no Irã, e ficaria a cargo deles decidir como os marinheiros voltariam para casa."Após as formalidades, eles irão à embaixada" , disse o diplomata. "Eles podem ir em um vôo da British Airways (companhia aérea) para Heathrow (aeroporto de Londres), ou podem ir pelos Emirados Árabes Unidos. Quem decide é a embaixada britânica em Teerã ou a chancelaria britânica". Ainda de acordo com o diplomata, a embaixada britânica deveria decidir os detalhes para a viagem dos marinheiros. Em Londres, um porta-voz da chancelaria disse que esses planos ainda não foram estabelecidos, e que autoridades querem "certificar-se de que realmente eles estão sob nossa guarda, e que estão a salvo e bem".Os militares devem deixar Teerã nesta quinta-feira, 5. Os familiares esperarão em uma base militar, segundo Robin Air, pai do Capitão Chris Air, um dos seqüestrados.Fim do cárcereO anúncio de que os militares seriam libertados foi feito em uma entrevista coletiva em Teerã, pouco depois do presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, condecorar os homens da guarda costeira que detiveram os britânicos.Classificando a decisão como um "presente de Páscoa" ao povo britânico, Ahmadinejad disse que "perdoa" o Reino Unido pela suposta invasão de águas territoriais iranianas. Segundo a TV iraniana, os britânicos acompanharam a cerimônia, e ficaram extasiados quando um tradutor disse a eles o que o presidente estava falando. O presidente, entretanto, manteve as críticas ao Reino Unido e enfatizou que o Irã jamais aceitará que suas águas territoriais sejam violadas. Relações estremecidasA detenção dos britânicos por quase 15 dias gerou tensões entre os dois países, e foi condenada pela União Européia, que a considerou uma violação de leis internacionais. O episódio veio à tona num momento em que as tensões entre o Irã e o Ocidente - em especial os Estados Unidos e o Reino Unido - já encontravam-se em alta por causa recusa de Teerã em suspender seu polêmico programa nuclear. A crise foi marcada por uma engenhosa campanha de propaganda encabeçada pelo governo iraniano, que usou supostas confissões em vídeos, fotos e cartas dos militares britânicos para comprovar a "invasão" das águas iranianas. Num dos momentos mais dramáticos, a única mulher do grupo, a marinheira Faye Turner, apareceu em um vídeo veiculado pela TV estatal dizendo que os britânicos "certamente invadiram" as águas iranianas. Em uma carta ela também afirmava ter sido "sacrificada" pela política de guerra de Londres e Washington. PetróleoNa semana passada, a crise desencadeada pela captura dos militares britânicos elevou os preço do barril do petróleo aos níveis mais altos do ano. Com o anúncio desta quarta-feira, entretanto, o valor apresentou tendência de queda. Às 10h25 da manhã desta quarta-feira (Brasília), o contrato futuro do petróleo para maio em Nova York cedia 0,76%, a US$ 64,15 por barril, após ter chegado a cair a US$ 63,80, momentos após as declarações do presidente iraniano. Em Londres, barril para maio recuava 0,56%, a US$ 67,43 por barril, mas está acima da mínima de US$ 67,11.O anúncio do Irã também pode provocar a queda do dólar no Brasil, que deve atingir menos de R$2,00 em poucas semanas.Texto ampliado às 16h18.

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