Militares confiscam armas da polícia de Caracas

Tropas da Guarda Nacional vistoriaram ontem vários quartéis da Polícia Metropolitana de Caracas, comandada pelo prefeito opositor, Alfredo Peña, e confiscaram todas as armas encontradas nessas unidades, exceto revólveres calibre 38. A atuação da força policial de Caracas é uma das frentes do conflito entre o governo do presidente Hugo Chávez e a oposição que há 45 dias promove uma greve geral no país para forçar sua renúncia. "Levaram todas as armas e não sabemos o que farão com elas", disse o comandante da Polícia Metropolitana, Henry Vivas. "Não nos explicaram a ação. Chegaram de madrugada e tomaram de assalto os quartéis. Isso nos põe em desvantagem diante da delinqüência." A Guarda Nacional, um dos ramos das Forças Armadas, interveio na Polícia Metropolitana em novembro por ordem de Chávez, que acusou Peña de ter "politizado" a força policial. Após uma ordem judicial as forças federais iniciaram, muito lentamente, a devolução do comando da polícia a seus comandantes. Chávez acusou diretamente a Polícia Metropolitana pela morte a tiros de dois manifestantes pró-governo no dia 3. E, dando a entender que poderia ordenar uma nova intervenção, disse que não houve uma única morte nas poucas semanas em que a polícia esteve sob comando federal. Enquanto a tensão persiste, o governo se esforça para demonstrar que a greve geral tem perdido sua força, com a gradual normalização do funcionamento do comércio no centro de Caracas e a lenta retomada das atividades da estatal petrolífera, a Petróleos de Venezuela S.A. (PDVSA). O vice-presidente José Vicente Rangel disse ontem que a empresa já produz 1 milhão de barris de petróleo por dia. Rangel acrescentou esperar que, em dois meses, a PDVSA retome sua produção média de 2,8 milhões de barris. Os sindicatos ligados à oposição, porém, afirmam que a empresa tem produzido apenas 400 mil barris por dia. Em meio à crise, Chávez comparecerá sexta-feira à Assembléia Nacional para seu discurso anual sobre o estado do país e as ações do governo. Manifestantes voltaram ontem a entrar em choque com a polícia. Os policiais usaram gás lacrimogêneo e balas de borracha para dispersar chavistas munidos de pedras e garrafas que avançavam até uma marcha de opositores no oeste de Caracas. Um chavista foi ferido a bala. Os manifestantes pró-governo também jogaram pedras em jornalistas e danificaram a fachada de um McDonald´s. Outra passeata ocorreu no centro para apoiar o "sim" num referendo consultivo previsto para 2 de fevereiro, cuja realização o governo descarta. O Supremo Tribunal julga recursos sobre a constitucionalidade da consulta popular, que, de todo modo, não obrigaria Chávez a renunciar.

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