Militares consolidam golpe de Estado em Guiné

Premiê oficializa passagem do comando; amotinados prometem eleições para 2010

AP REUTERS, O Estadao de S.Paulo

26 de dezembro de 2008 | 00h00

O primeiro-ministro de Guiné, Ahmed Souare, e outros 30 membros do governo entregaram ontem oficialmente o poder para o grupo do Exército que deu um golpe de Estado após a morte do presidente Lansana Conté, na segunda-feira. "Estamos à sua disposição", disse Souare ao líder do grupo amotinado, o capitão Moussa Camara, na rádio estatal. Após o anúncio, Camara disse que os ex-líderes estavam livres para partir.A mãe de Souare, Aissatou, disse à Associated Press que seu filho e os demais membros do antigo gabinete apresentaram-se ao grupo golpista - auto-intitulado Conselho Nacional para Democracia e Desenvolvimento - no quartel de Alpha Yaya Diallo, sede provisória dos rebelados, para evitar perseguições políticas. O premiê deposto não é visto em público desde o anúncio do golpe, mas dizia estar no poder até o pronunciamento de ontem.Na capital do país, Conakry, uma multidão recebeu Camara, que realizou uma parada militar até o palácio presidencial. O capitão declarou-se líder interino do país e disse que realizará eleições em 2010. Camara, porém, afirmou "não ter a ambição de ser um candidato na futura disputa eleitoral".Instalado no poder, o novo líder declarou que pretende restabelecer a ordem institucional em Guiné e combater a corrupção. "Quero alertar aqueles que pensam que podem corromper a mim ou aos meus agentes: dinheiro não é de nosso interesse", afirmou. "Já há pessoas aparecendo com sacos de dinheiro, tentando dar presentes para nossas mulheres, carros para nossos filhos. Irei pessoalmente atrás deles."Camara prometeu também realizar um "grandioso funeral" para o presidente falecido. Conté morreu na segunda-feira, mas seu corpo ainda não foi sepultado - contrariando o costume islâmico, religião majoritária em Guiné, de realizar o funeral dentro de 24 horas. "Como se pode deixar o corpo de um presidente assim, sem cuidado?", disse Camara.A Organização das Nações Unidas, os EUA, a União Européia e a União Africana condenaram o fracasso para estabelecer um regime democrático em Guiné. Localizado no oeste da África, o país é o maior produtor de bauxita do mundo e, passados cinqüenta anos desde sua independência da França, teve apenas dois presidentes.

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