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Arábia Saudita diz que armas usadas em ataque são do Irã

O porta-voz da coalizão saudita que combate os rebeldes houthis no Iêmen disse que 'não há dúvida' que armas são iranianas; príncipe herdeiro diz que ameaças afetam o Oriente Médio e o mundo

Redação, O Estado de S.Paulo

16 de setembro de 2019 | 14h34
Atualizado 17 de setembro de 2019 | 13h48

As Forças Armadas da Arábia Saudita disseram nesta segunda-feira, 16, que armas iranianas foram usadas nos ataques aéreos no fim de semana que interromperam 50% da produção de petróleo do reino

Segundo a inteligência saudita, os ataques não foram lançados no Iêmen, como teriam afirmado ontem os rebelde houthis, que lutam contra uma coalizão liderada pela Arábia Saudita e apoiada pelos Estados Unidos, que assumiu a responsabilidade pelos ataques no fim de semana.

No domingo, os preços do petróleo subiram 18% nos mercados globais após a onda de ataques. Os iranianos negam serem os responsáveis pelas ações. O atentado, feito com 10 drones e cuja autoria foi assumida pelos rebeldes houthis do Iêmen, patrocinados pela teocracia iraniana, ameaçam aumentar a tensão no Oriente Médio.

O ataque de sábado à fábrica de Abqaiq, na Arábia Saudita, e ao seu campo de petróleo de Khurais levou à interrupção da produção de cerca de 5,7 milhões de barris diários de petróleo, equivalente a quase 6% do suprimento diário do mundo. O campo responde por 50% da produção saudita, que por sua vez é responsável por 10% da produção mundial de petróleo. O mundo consome quase 100 milhões de barris por dia.

As alegações sauditas foram feitas nesta segunda-feira, 16, por Turki Al-Malik, o porta-voz da coalizão saudita que combate os rebeldes do Iêmen. As afirmações foram feitas sem evidências do apoio, em uma tentativa de culpar diretamente o Irã, principal aliado dos houthis, pelos ataques de sábado.

Em uma entrevista coletiva em Riad, Malik não forneceu detalhes específicos, de acordo com a mídia saudita e os serviços de notícias. "A investigação continua e todas as indicações são de que as armas usadas nos dois ataques vieram do Irã", disse ele. Os sauditas, acrescentou, estavam tentando determinar “de onde foram lançados”.

Mais tarde, na sua primeira reação oficial ao ataque, o príncipe herdeiro saudita, Mohamed bin Salman, voltou a culpar o Irã. “As ameaças iranianas não estão direcionadas somente ao reino. Seus efeitos alcançam o Oriente Médio e o mundo”, declarou o príncipe, em um comunicado divulgado pelo Ministério das Relações Exteriores. 

Os atentados aumentaram as tensões entre o Irã e os Estados Unidos, e ampliaram o medo de um conflito armado mais amplo.

Autoridades dos Estados Unidos disseram que o Irã foi responsável pelos ataques no sábado, o golpe mais audacioso e prejudicial à Arábia Saudita nos quatro anos e meio da guerra civil do Iêmen, e também questionaram se foram lançados do território houthi. 

O governo do Iraque, preocupado com especulações, negou ainda no domingo que os drones tenham saído de seu território. O presidente iraniano, Hassan Rohani, também negou qualquer envolvimento de seu país com os ataques e disse que os rebeldes que reivindicaram sua autoria estavam apenas se defendendo dos bombardeios sauditas. “O Iêmen é alvo de bombardeios diários. O povo do Iêmen tem sido obrigado a responder. Ele só se defende”, declarou Rohani em Ancara, após uma reunião de cúpula com os presidentes russo, Vladimir Putin, e turco, Recep Tayyip Erdogan.

Os americanos não apresentaram evidências de envolvimento iraniano além das fotos de satélite dos danos, cujo significado não era claro e que foi refutada por analistas militares americanos, e não disseram quem estava diretamente envolvido na execução dos ataques ou de onde foram lançados.

Ao comentar as imagens divulgadas pela CNN, analistas militares disseram que elas podem ajudar a apoiar o argumento de envolvimento do Irã, mas ponderaram que não são definitivas. “Essas imagens não mostram outra coisa a não ser a precisão do ataque contra os tanques de petróleo. Mas não há nada nelas que confirme que o lançamento tenha partido de uma localização em particular”, disse o general Mark Hertling.

O governo Trump culpou o Irã pelas ações dos houthis, e especialistas das Nações Unidas dizem que o Irã forneceu ao grupo drones e mísseis que ampliaram bastante sua capacidade ofensiva.

Ataque aos mercados de energia

Os partidários proeminentes da monarquia retrataram os ataques como um atentado ao mundo e seus mercados de energia, não apenas à Arábia Saudita, ou até falaram em vingança.

"O que é necessário é nada além de destruir as instalações de petróleo do Irã e, se houver capacidade, instalações nucleares e bases militares", argumentou Turki al-Hamad, analista e romancista político saudita, ao New York Times.

Mohammed Alyahya, editor-chefe do site em inglês do canal de notícias Al Arabiya, de propriedade saudita, enfatizou que os governantes do reino estavam deliberando com cuidado. “Os ataques mostram que os iranianos estão sentindo a dor das amplas sanções do governo Trump, e é mais provável que eles corram riscos como os que tomaram agora", disse ele.

"Uma resposta militar convencional só deve ser empreendida com o máximo cuidado, depois de analisar todas as outras alternativas", acrescentou. “Se houver um conflito militar, o Irã será inevitavelmente o maior perdedor, mas a realidade é que todos perderão. Uma guerra convencional afetará a todos.”/New York Times, AFP

 

 

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