Militares da Mauritânia detêm presidente e tomam o poder

Soldados da Mauritânia,país islâmico do noroeste da África, derrubaram do poder, naquarta-feira, o presidente Sidi Mohamed Ould Cheikh Abdallahi eanunciaram a formação de um conselho dirigente liderado pormilitares. Os soldados capturaram o presidente em seu palácio depoisde ele ter substituído oficiais de alta patente da hierarquiamilitar em meio a uma crise política instalada nesse país, umdos mais novos produtores de petróleo do continente e o qualextrai também ferro, cobre e ouro. "Os agentes de segurança do Basep (Batalhão de SegurançaPresidencial) vieram até a nossa casa por volta das 9h20 (6h20em Brasília) e levaram meu pai embora", disse à Reuters AmalMint Cheikh Abdallahi, filha do presidente. A União Africana (UA) condenou o golpe e exigiu areinstalação do governo constitucional. Um "Conselho de Estado" liderado por um dos oficiaisafastados, Mohamed Ould Abdelaziz, chefe do Basep, disse queAbdallahi era agora um "ex-presidente" e anulou o decretoanterior que determinava as substituições --entre os afetadosestavam o próprio Abdelaziz e o chefe do Exército. O comunicado, descrito como sendo a "Declaração No. 1" doConselho, foi divulgado por TVs árabes do golfo Pérsico. Abdallahi foi eleito no ano passado e tomou posse no lugarde uma junta militar que havia tirado do poder o presidenteautocrático Maaouya Ould Sid'Ahmed Taya, em um golpe pacíficorealizado em 2005. A TV e a rádio estatais, com sede em Nuakchott, deixaram derealizar suas transmissões quando os soldados cercaram osprédios do governo. "Nós estamos sendo mantidos dentro de casa e estamosproibidos de sair daqui. Há guardas na cozinha, nos quartos, eaté mesmo nos chuveiros. As linhas de telefone foram cortadas.Isso é, com certeza, um golpe", afirmou a filha de Abdallahi. Uma integrante da Presidência que não quis ter suaidentidade revelada disse que o presidente e o ministro doInterior haviam sido detidos e levados para um localdesconhecido. Os soldados prenderam também os oficiais das Forças Armadasque Abdallahi havia nomeado, na quarta-feira de manhã, parasubstituir os oficiais afastados, afirmou a rede de TV Arabyia. Não houve, por enquanto, sinais da prática de atos deviolência. A bordo de jipes equipados com armas de grossocalibre, soldados montavam guarda do lado de fora de prédios dogoverno enquanto jovens vestidos com camisetas ou roupas maistradicionais acenavam alegremente para as câmeras de TV. (Reportagem adicional de Noiselle Champagne em Nuakchott eInal Ersan em Dubai, Peter Apps em Londres e Ingrid Melander emBruxelas)

VINCENT FERTEY E IBRAHIMA SYLLA, REUTERS

06 de agosto de 2008 | 12h20

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